REUTERS/Marco Bello
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Como imaginar uma inflação de 10.000.000%?

Essa é previsão do FMI para 2019 na Venezuela, que enfrenta grave crise econômica e hiperinflação

Heather Scott / AFP, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2018 | 05h00

Como é um cenário no qual a inflação chega a 10.000.000%? Quando isso acontece, uma coisa que custa US$ 1 passa a custar US$ 100 mil. No entanto, na prática, há alguma forma de se calcular este impacto?

Depois de os preços subirem imensuráveis 1.000% no ano passado, a hiperinflação da Venezuela, país que atravessa uma crise econômica aguda, poderia chegar a 1.350.000% este ano, segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado na segunda-feira. 

Além disso, em 2019, essa hiperinflação vai explodir ainda mais e sair da órbita terrestre, chegando a 10.000.000%. Esse número é tão grande e improvável que vários leitores do relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês), elaborado pelo FMI, tiveram de contar os zeros nos dedos para se convencer de que leram certo.

A situação é tão grave que a Venezuela foi excluída da média regional da lista dos mercados emergentes para que as cifras não fossem contaminadas. 

Após anos de condução errada da economia, com a indústria petrolífera que sustenta o país paralisada, a ONU calcula que 1,9 milhão de pessoas deixaram a Venezuela desde 2015. Migrantes desesperados fugiram para países vizinhos, como Colômbia e Brasil, em busca de comida e de remédios.

A economia venezuelana encolheu 14% no ano passado e a previsão é a de que encolha 18% neste ano. A “boa notícia” é que não dá para encolher mais, o que projeta para 2019 uma contração de “apenas 5%”, de acordo com o relatório do Fundo Monetário Internacional. 

O FMI calcula que a renda per capita da Venezuela caiu mais de 35%, entre 2013 e 2017, e já prevê uma retração próxima de 60%, entre 2013 e 2023. A entidade calcula ainda que “a hiperinflação venezuelana vá piorar rapidamente, alimentada pelo financiamento monetário de um déficit de grande escala e pela perda de confiança na moeda”.

Em agosto, a Venezuela desvalorizou sua moeda, o bolívar soberano, em cerca de 100%. Excluindo-se esse país, a inflação nos países emergentes e em desenvolvimento deve chegar a 5% este ano, segundo o FMI. A previsão de crescimento global foi reduzida o,2 ponto porcentual, para 3,7%, principalmente em razão da guerra comercial entre EUA e China.

O FMI também reduziu suas previsões de crescimento para países emergentes e em desenvolvimento, em comparação com as estimativas publicadas em julho, para 4,7% para 2018 e 2019. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ 

É JORNALISTA

 

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