Como lutar por independência e não se afastar da UE?

CENÁRIO: Sara Miller Llana / CSM

O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2014 | 02h00

Os europeus em busca de mais autonomia - dos catalães e bascos, na Espanha, até os flamengos, na Bélgica, e corsos, na França - observam com admiração a campanha do primeiro-ministro Alex Salmond pela independência da Escócia. No entanto, a última coisa que Salmond deseja é se tornar porta-voz de movimentos secessionistas, o que pode prejudicar o futuro de uma Escócia independente dentro da União Europeia.

Quando os catalães marcharam pela independência, na semana passada, algumas bandeiras escocesas foram vistas na multidão. Salmond, porém, rapidamente disse que a Escócia não deve ser tomada como modelo para o restante da Europa. "Trata-se de um grande processo que estamos vivendo", disse. "Temos um processo democrático consensual e essa é a principal diferença."

A Espanha rejeitou a ideia de um plebiscito para a Catalunha, que realizará uma votação não vinculante em 9 de novembro. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, descreveu consultas desse tipo como "um torpedo sob a superfície da integração europeia". Na Grã-Bretanha, os dois lados aceitaram o plebiscito e concordaram em negociar uma solução, independentemente do resultado da votação na Escócia.

Os comentários de Salmond também buscaram causar boa impressão na Europa. A lógica de sua defesa da independência estava na argumentação de que Edimburgo não precisa de Londres, mas sim do apoio de outras capitais europeias. Se optasse pela aproximação com a Catalunha, Salmond correria o risco de alienar Madri. "Os nacionalistas escoceses tentam evitar que o grupo seja visto como símbolo", diz Daniel Kenealy, especialista em políticas públicas da Universidade de Edimburgo.

Ainda assim, os europeus favoráveis à independência não poderiam deixar de se sentir inspirados por Salmond. Iñaki Muniain, morador de Bilbao, no País Basco, diz que apoiou a independência basca desde criança e admira Salmond. "Mais do que admiração, sinto inveja ao ver que ele deu ao seu povo a oportunidade de decidir seu destino numa votação", diz Muniain.

No diário basco Deia, um editorial publicado em agosto dizia que o plebiscito escocês deixava em evidência "a imensa lacuna democrática entre a Grã-Bretanha e a Espanha". / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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