Como no início do ano, jornalistas são agredidos na Praça Tahrir

Ataques incluem até mesmo casos de violência sexual, ocorridos à luz do dia e em meio à multidão

CAIRO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2011 | 03h02

Além da frustração causada pelas concessões da junta militar e da volta do ambiente revolucionário na Praça Tahrir, outro aspecto que lembra os acontecimentos de janeiro e fevereiro no Cairo são os ataques a jornalistas. Desde quarta-feira, eles já somam ao menos três. No caso de duas mulheres, além do espancamento, houve agressões sexuais, segundo seus relatos.

O fotógrafo espanhol Guillermo Valle contou ao Estado que na quarta-feira foi puxado pelos braços por vários homens à paisana numa rua adjacente à Praça Tahrir até um cordão policial. Policiais fardados o espancaram, tomaram todo o seu dinheiro e equipamento fotográfico e o colocaram num caminhão, em que havia cerca de 50 egípcios detidos. Depois de rodarem durante 3 horas, soltaram o fotógrafo, mantendo os outros presos.

Agressões sexuais. A repórter francesa Caroline Sinz, da rede de TV France 3, contou que ela e seu cinegrafista foram agarrados na quinta-feira por adolescentes de 14 a 16 anos de idade na Praça Tahrir e separados um do outro. Ela disse que os rapazes a esmurraram, arrancaram suas roupas, incluindo as de baixo, e a agrediram sexualmente, "na frente de todos e em plena luz do dia".

Na madrugada de quinta-feira, a jornalista egípcia de origem americana Mona el-Tahawy, de 44 anos, foi presa na linha de frente do confronto entre manifestantes e a polícia nos arredores do Ministério do Interior, antes que começasse a vigorar uma trégua às 6 horas da manhã daquele dia. Ela disse que os policiais a golpearam com cassetetes, quebrando seu braço esquerdo e sua mão direita. Mona contou que os policiais agarraram seus seios e colocaram as mãos entre as suas pernas.

Dois problemas históricos da sociedade egípcia se misturam nesses incidentes: as frequentes agressões sexuais contra mulheres e a falta de liberdade de imprensa.

"O controle sobre a imprensa continua igual ao que era antes da revolução", disse ao Estado o jornalista Sami Shehata, diretor de um canal de TV estatal. "Só existe liberdade para servir aos interesses dos militares. Não há revolução sem bons meios de comunicação." / L.S.

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