Jim Urquhart/Reuters
Jim Urquhart/Reuters

Como o debate pode reverter a vantagem de um favorito

A história mostra que os candidatos têm diferentes maneiras para vencer os debates

CENÁRIO: John Harwood / NYT, O Estado de S. Paulo

04 de outubro de 2012 | 01h28

A história mostra que os candidatos têm diferentes maneiras para vencer os debates presidenciais: humilhar o rival, uma surpreendente exibição de competência, usar os tropeços do oponente, táticas superiores usadas após um debate. Mas ela mostra também que para mudar fundamentalmente a direção de uma campanha, um candidato normalmente tem de usar tudo aquilo.

 

Somente duas vezes os debates mudaram o resultado das eleições. Em 1960, quando os americanos viram pela primeira vez um debate dos candidatos à presidência pela TV. Na ocasião, o comportamento do senador John F. Kennedy, tranquilo e autoconfiante, contrastou fortemente com a aparência abatida de Richard Nixon.

 

A mudança mais nítida, no entanto, foi observada na eleição de 2000, quando os candidatos eram o governador George W. Bush, do Texas, e o vice-presidente Al Gore. E ela foi resultado de uma rara combinação de fatores, com efeitos cumulativos devastadores para a campanha de Al Gore.

 

Gore chegou ao primeiro debate em 3 de outubro com a reputação de ser um excelente debatedor e com uma vantagem de cinco pontos porcentuais entre os eleitores. "Não estávamos muito longe de onde (o republicano Mitt) Romney está agora", lembra Jan van Lohuizen, estrategista do partido.

 

A habilidade de Al Gore para debater ficou ofuscada por erros factuais menores e pelo que pareceu uma atitude impaciente, condescendente - especialmente depois que os assessores de Bush chamaram a atenção para o fato em entrevistas posteriores ao debate. "Eles nos derrotaram após o debate", disse um estrategista da campanha de Al Gore, Tad Devine. "O argumento levantado foi 'ele mentiu e ele suspirou', e 'isso prevaleceu'".

 

As coisas pioraram quando o vice de Bush, Dick Cheney, venceu o debate com o número dois de Gore, o senador Joseph I. Lieberman, de Connecticut, no debate entre os candidatos à vice-presidência. No segundo confronto, o desempenho de Gore foi considerado ineficaz. No último, em 17 de outubro, Gore procurou recuperar o terreno e tentou desconcertar Bush aproximando-se dele no palco. Com um aceno, cumprimentando-o, e um sorriso fácil, Bush fez com que Gore parecesse um idiota.

 

Bush obteve um ponto porcentual de vantagem entre os eleitores segundo pesquisa feita após o debate pelo New York Times/CBS - uma oscilação de seis pontos porcentuais a favor do candidato republicano. Em pesquisas realizadas pela NBC News/Wall Street Journal e Gallup, a oscilação foi de nove e 12 pontos porcentuais, respectivamente.

 

Não fosse essa oscilação, dizem veteranos de ambas as campanhas, Bush não estaria em posição de alcançar sua vitória no Colégio Eleitoral, mesmo perdendo o voto popular. "O ponto crucial da eleição", disse Devine. Ele ainda lamenta a incapacidade da campanha de Gore para ajustar a cobertura do primeiro debate, dizendo que "devíamos ter revidado vigorosamente" / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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