Como o debate pode reverter a vantagem de um favorito

Cenário: John Harwood / NYT

O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2012 | 03h09

A história mostra que os candidatos têm diferentes maneiras para vencer os debates presidenciais: humilhar o rival, uma surpreendente exibição de competência, usar os tropeços do oponente e táticas superiores usadas após o confronto. No entanto, ela mostra também que, para mudar fundamentalmente a direção de uma campanha, um candidato, normalmente, tem de usar tudo aquilo.

O que destaca ainda mais o desafio a ser encarado por Mitt Romney no primeiro debate deste ano dos candidatos à presidência - o 27.º debate da era da TV - com o presidente Barack Obama. Somente duas vezes os debates mudaram o resultado das eleições. Em 1960, quando os americanos viram, pela primeira vez, um debate dos candidatos à presidência pela TV. Na ocasião, a virada foi protagonizada pelo senador John F. Kennedy, cujo comportamento tranquilo e autoconfiante contrastou fortemente com a aparência abatida de Richard Nixon,

A mudança mais nítida, no entanto, foi observada na eleição de 2000, quando os candidatos eram o governador George W. Bush, do Texas, e o vice-presidente Al Gore. E ela foi resultado de uma rara combinação de fatores, com efeitos cumulativos devastadores para a campanha democrata. Gore chegou ao primeiro debate, no dia 3 de outubro, com a reputação de ser excelente debatedor e com uma vantagem de cinco pontos porcentuais. "Não estávamos muito longe de onde Romney está agora", lembra Jan van Lohuizen, estrategista republicano.

A habilidade de Gore para debater ficou ofuscada por erros factuais menores e pelo que pareceu uma atitude impaciente, condescendente, especialmente depois que os assessores de Bush chamaram a atenção para o fato, em entrevistas posteriores ao debate. "Eles nos derrotaram após o debate", disse Tad Devine, estrategista da campanha de Gore. "O argumento levantado foi: 'ele mentiu e ele suspirou', e isso prevaleceu'".

As coisas pioraram quando o vice de Bush, Dick Cheney, venceu o debate com o número dois de Gore, o senador Joseph Lieberman, de Connecticut, no debate realizado entre os dois.

No segundo confronto, o desempenho de Gore foi considerado ineficaz. No último debate, em 17 de outubro, Gore procurou recuperar o terreno e tentou desconcertar Bush aproximando-se dele no palco. Com um aceno, cumprimentando-o e um sorriso fácil, Bush fez com que Gore parecesse um idiota.

Bush obteve um ponto porcentual de vantagem entre os eleitores, segundo pesquisa do New York Times/CBS, feita após o debate, uma oscilação de seis pontos porcentuais a favor do candidato republicano.

Em pesquisas da NBC News/Wall Street Journal e Gallup, a oscilação foi de 9 e 12 pontos porcentuais, respectivamente. Não fosse essa oscilação, dizem veteranos de ambas as campanhas, Bush não estaria em posição de alcançar uma vitória no Colégio Eleitoral, mesmo perdendo o voto popular. Devine ainda lamenta a incapacidade da campanha de Gore de responder à cobertura do primeiro debate. "Deveríamos ter revidado vigorosamente", afirma. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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