Emirates Airline/Handout via Reuters
Emirates Airline/Handout via Reuters

Como o setor aéreo modificou os aviões para evitar a propagação da covid-19

Com queda do tráfego por pandemia, Boeing e Airbus rapidamente lançaram células de crise

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2020 | 03h00

O impacto devastador da covid-19 no transporte aéreo teve, pelo menos, o resultado positivo de acelerar as pesquisas para transformar os aviões em bolhas sanitárias, com raios ultravioleta, desinfetantes e tratamentos térmicos.

Diante da queda do tráfego aéreo e do medo de que os passageiros relutem em entrar no avião devido à disseminação do vírus, Boeing e Airbus rapidamente lançaram células de crise.

O objetivo número 1 de ambos os grupos é ganhar a "confiança" do passageiro, apesar de o vírus continuar assombrando o setor, que prevê em 2020 uma queda de tráfego de mais da metade em relação ao ano anterior.

A maioria das companhias intensificou as operações de limpeza e desinfecção de aeronaves, e algumas descontaminam regularmente as cabines com um agente virucida, que permanece ativo por vários dias.

A associação que reúne as empresas, IATA, garante que o risco de contrair o vírus a bordo é extremamente baixo.

A Boeing, que lançou o programa Confident travel initiative, acaba de lançar um sistema de raios ultravioleta que permite a desinfecção da cabine, banheiros e cozinhas, em teoria em quinze minutos, entre dois voos. A companhia espera poder comercializá-lo este ano.

Limite de tempo

O procedimento responde principalmente ao "limite de tempo" que garante a rotação rápida do avião, disse Kevin Callahan, técnico responsável pelo programa ultravioleta da Boeing.

Além dessa técnica para neutralizar o vírus, as duas empresas estudam outras, como a pulverização em forma de nuvem de produtos químicos, o uso de revestimentos especiais, peróxido de hidrogênio em estado gasoso, desinfecção térmica, aumento da temperatura da cabine para 60ºC ou mesmo a ionização do ar.

Assim como os ataques de 11 de setembro de 2001 impulsionaram uma atualização dos regulamentos de segurança no setor da aviação, a crise da covid-19 pode desempenhar o mesmo papel, mas no campo da saúde.

Embora os critérios de segurança sanitária em aeronaves já sejam "muito altos", esta crise pode levar a um novo padrão, comentou à Agência France Press Jean-Brice Dumont, vice-presidente executivo de engenharia da Airbus.

Várias técnicas estão sendo testadas ao mesmo tempo porque as limitações são múltiplas: perigo para o operador ou para o passageiro, que todos os países do mundo aceitem o método, o tempo de aplicação entre dois voos, os riscos de deterioração das superfícies, etc.

Por exemplo, a técnica de descontaminação térmica foi bem recebida pela fabricante europeia, mas leva muito tempo para ser aplicada.

"Outra dimensão é psicológica", enfatizou Bruno Fargeon, que dirige o programa Keep trust in air travel da Airbus.

Lenço, a arma suprema

"Quanto mais controle, melhor", explicou à Agência France Press. Assim, o passageiro se sentirá mais calmo se puder limpar, com um lenço desinfetante, os objetos com os quais estará em contato.

As epidemias de Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em 2002-2003 e de Ebola já levaram à aplicação de regras de segurança sanitária.

O sistema de ventilação da cabine foi otimizado após a epidemia de Sars. O ar circulante é filtrado e totalmente renovado a cada dois ou três minutos.

Mais recentemente, a proliferação de percevejos, um inseto muito viajante, levou ao desenvolvimento de um procedimento de desinfecção muito completo nas cabines. Mas é bastante difícil de executar, pois requer a remoção de alguns elementos.

Outra pista que está sendo explorada para expulsar vírus ou bactérias das cabines é o uso de revestimentos especiais para neutralizá-los.

Além disso, o "sem contato", que já é utilizado nos dispensadores de sabão, é cada vez mais utilizado nos aeroportos para check-in e embarque, sendo também uma tática para conter a disseminação do vírus.

"Procuramos o melhor método, porque todos têm efeitos colaterais. Qualquer método tem seus pontos fortes e fracos", advertiu Dumont. /AFP

 

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