Alex Brandon/AP Photo
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Como pode ser a vida de Trump se ele perder a reeleição?

Considerando os últimos quatro anos, é difícil imaginar uma saída discreta e o anonimato

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2020 | 15h52

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não fala publicamente sobre a possibilidade de ser derrotado nas urnas por Joe Biden. Mas se isso acontecer na terça-feira, como será sua vida depois de sua saída da Casa Branca em 20 de janeiro de 2021?

Se ele regularmente se lembra de sua vida antes da política - "Eu tive uma ótima vida" - ele não se referiu a como poderia ser depois. À luz dos últimos quatro anos, é difícil imaginar uma saída discreta e o anonimato.

Um retorno à televisão? 

Trump pode ficar tentado a voltar para a televisão. Se ele ficou conhecido como promotor imobiliário nas décadas de 1980 e 1990, foi o reality show "O Aprendiz" que lhe permitiu entrar em todas as casas americanas.

Co-produtor deste programa que apresentou entre 2004 e 2015, Trump conseguiu, apesar dos altos e baixos do seu império imobiliário, projetar uma imagem de empresário forte e carismático.

Em uma grande sala de reuniões na Trump Tower, o magnata recebia candidatos e dispensava um por programa, usando a frase citada: "Você está demitido!".

Desde sua chegada à Casa Branca, ele deplorou repetidamente a posição da Fox News por não ser trumpista o suficiente para seu gosto.

Os espectadores “querem uma alternativa agora. E eu também!”, ele escreveu no Twitter há alguns meses. O próximo ano pode ser uma oportunidade para começar, do zero - embora o investimento inicial possa ser proibitivo - ou de canais amigáveis existentes, como One America News e NewsMax TV.

Os tribunais? Prisão?

Se ele deixar a Casa Branca, o horizonte judicial de Trump pode escurecer significativamente. Em Nova York, ele é alvo de duas investigações, cada uma podendo levar a um processo contra ele.

O primeiro, um processo criminal movido pelo promotor Cyrus Vance de Manhattan, diz respeito a possíveis atos de evasão fiscal, fraude de seguros e manipulação contábil.

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A segunda, na órbita civil, foi lançada pela procuradora do estado de Nova York, Letitia James, para apurar se a Trump Organization mentia sobre o tamanho de seus ativos para obter empréstimos e vantagens fiscais.

2024?

Em teoria, nada impede Trump de tentar voltar à Casa Branca em 2024. A constituição proíbe cumprir mais de dois mandatos consecutivos, mas dois mandatos não consecutivos são uma possibilidade.

Eleito em 1884, foi derrotado em 1888 e reeleito em 1892. Mas, para isso, teria grandes obstáculos políticos a superar. Por um lado, o Partido Republicano pode ser tentado a virar a página do trumpismo, mas a questão da idade também pode surgir.

Grover Cleveland tinha 56 anos quando começou seu segundo mandato. Donald Trump teria 78 anos.

Vários caminhos

No tom de provocação que tanto adora, Trump mencionou várias "pistas" nos últimos meses. Em junho, ele evocou, rindo, a possibilidade de uma "road trip" com sua esposa Melania. "Talvez eu vá de carro para Nova York com a primeira-dama. Acho que vou comprar um trailer e viajar com a primeira-dama."

Em uma nota menos romântica, ele parou alguns dias atrás durante um comício de campanha na Pensilvânia para admirar os caminhões estacionados à distância. "Belos caminhões! Você acha que eu poderia entrar em um deles e ir embora? Eu adoraria, apenas dirigir e pegar a estrada."

Em uma visita a The Villages, a maior comunidade de aposentados da Flórida, ele evocou uma opção mais gentil. "Estou me mudando para The Villages. Não é uma má ideia. Eu realmente gosto disso!"

Mas existe uma opção mais radical. "Não vou me sentir muito bem", disse ele há algumas semanas, em alusão à humilhação que, segundo ele, representaria uma perda para Biden, que ele apelidou de "Joe Sonolento". "Posso deixar o país." / AFP

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