Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Companheiro de jornalista chega ao Rio; Anistia Internacional vê 'vingança'

Anistia diz em nota que detenção de Miranda em Londres é 'ilegal e indesculpável e mostra como a lei pode ser abusiva por razões mesquinhas e vingativas'

Agência Brasil

19 de agosto de 2013 | 08h13

BRASÍLIA - A Anistia Internacional condenou a detenção, no Aeroporto de Heathrow, em Londres, do brasileiro David Miranda, companheiro de Glenn Greenwald, colunista do jornal britânico The Guardian que publicou informações sobre o esquema de espionagem denunciado por Edward Snowden, ex-funcionário de uma empresa terceirizada da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA). Em nota, a Anistia Internacional disse que o brasileiro foi vítima de vingança do governo britânico. "A detenção de David é ilegal e indesculpável. Ele foi detido sob uma lei que viola qualquer princípio de equidade e sua prisão mostra como a lei pode ser abusiva por razões mesquinhas e vingativas." Miranda chegou ao Rio nesta segunda-feira, 19.

O brasileiro foi detido enquanto estava em trânsito em Heathrow e mantido, sem direito a comunicação, por quase nove horas - a partir daí o governo britânico teria que buscar novas justificativas para mantê-lo detido.

"É altamente improvável que David Michael Miranda, em trânsito em um aeroporto do Reino Unido, tenha sido detido de forma aleatória, dado o papel que seu marido teve em revelar a verdade sobre a natureza ilícita de vigilância da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos", disse a diretora sênior de Legislação e Política da Anistia Internacional, Widney Brown.

David Miranda foi detido sob a Cláusula 7 da lei antiterrorismo. "Simplesmente não há base para acreditar que David Michael Miranda apresente qualquer ameaça para o governo do Reino Unido. A única intenção possível por trás desta detenção foi perturbar a ele e a seu marido, o jornalista do Guardian Glenn Greenwald, por seu papel em analisar os dados divulgados por Edward Snowden", ressaltou Widney Brown.

A Cláusula 7 da lei antiterrorismo permite à polícia deter qualquer pessoa na fronteira do Reino Unido, sem exigência de apresentar uma causa provável, e mantê-la por até nove horas, sem justificativa adicional. O detido deve responder a todas as perguntas, mesmo sem advogado presente. É considerado crime para o detento se recusar a responder às perguntas - independentemente dos motivos da recusa - ou não cooperar plenamente com a polícia.

No domingo, 18, o Itamaraty classificou a retenção do brasileiro como uma "medida injustificável".

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