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Companhia alemã é criticada por batizar trem-bala de Anne Frank 

Polêmica se deu porque Anne foi levada de Amsterdã para o campo de extermínio nazista, onde morreu, em um trem

O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 16h26

BERLIM - A empresa ferroviária alemã Deutsche Bahn se tornou alvo de duras críticas após ter batizado um trem-bala de Anne Frank, o nome da adolescente judia cujo diário escrito durante a 2ª Guerra se tornou um best-seller mundial. 

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A iniciativa da estatal faz parte da campanha que vai dar o nome de alemães famosos, escolhidos em pesquisa, a 25 novos trens-bala.  No entanto, a polêmica se deu porque Anne foi levada de Amsterdã para o campo de extermínio nazista, onde morreu, em um trem.  

Em nota, a Fundação Anne Frank disse que a "homenagem" é "um tema que leva a controvérsias" e faz lembrar as  deportações.  "Essa relação é dolorosa para pessoas que conviveram com as deportações e causa novas dores naqueles que precisam conviver com as consequências. Mas entendemos que iniciativas como essa costumam ter boas intenções", ponderou a fundação.       

Segundo a porta-voz da Deutsche Bahn, Antje Neubauer, Anne Frank é "um símbolo da tolerância e representa a pacífica coexistência  e diferentes culturas, o que é muito importante em tempo como os atuais".       

Nas redes sociais, a ideia foi classificada como insensível e de mau gosto já que muitos judeus foram enviados para o extermínio em campos de concentração em trens da Deutsche Reichsbahn, antecessora da Deutsche Bahn.       

O Diário de Anne Frank foi publicado em 1947, sendo traduzido para 50 idiomas. A jovem alemã morreu em 1944 no campo de extermínio de Elsen, quando tinha 15 anos.       

Recentemente, o ex-agente do FBI Vincent Pankoke, que formou uma equipe com 20 especialistas para tentar responder algumas dúvidas sobre a morte de Anne Frank, anunciou que a investigação será retomada. Na sexta-feira, a empresa estatal anunciou que os trens ainda terão nomes de personalidades como Albert Einstein, a atriz e cantora Marlene Dietrich, o casal Hans e Sophie Scholl, dissidentes que lutaram contra o nazismo, o teólogo Dietrich Bonhoeffer, a filósofa Hannah Arendt.       

Além deles, serão homenageados o compositor Ludwing van Beethoven, o escritor Thomas Mann e o filósofo e sociólogo Karl Marx, que também foi alvo de polêmica. Entre as piadas feitas pelos internautas está a pergunta se vai haver divisões por classes no trem que leva o nome do principal teórico do comunismo. / Ansa 

 

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