AP Photo/Peter Dejong
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Companhia ferroviária da Holanda indenizará vítimas do Holocausto

NS, que havia pedido desculpa em 2005 pelo papel que desempenhou durante a 2ª Guerra, aceitou pela primeira vez negociar compensações individuais para sobreviventes ou parentes de vítimas do nazismo

O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2018 | 17h29

HAIA, HOLANDA - A Companhia ferroviária holandesa NS pagará uma compensação aos sobreviventes e aos parentes de vítimas do Holocausto por ter transportado judeus para um campo de concentração durante a 2ª Guerra.

"É uma notícia muito boa. Estávamos decididos a ir à Justiça porque as reações da NS eram negativas, mas no fim entenderam que era possível solucionar isso de outra forma. Não é sobre esquecer o que aconteceu, mas sobre as pessoas que ainda estão vivas e que querem seus direitos reconhecidos", afirmou a advogada holandesa Liesbeth Zegveld.

Liesbeth, advogada de direitos humanos, representa o judeu Salo Muller, de 82 anos, e vários outros sobreviventes que estavam dispostos a recorrer aos tribunais europeus para exigir que a empresa holandesa reconhecesse os danos causados com sua colaboração com os nazistas.

A NS recebeu vários milhões com o transporte das vítimas do Holocausto ao campo de concentração e trânsito de Westerbork, localizado na província holandesa de Drente e por onde passaram milhares de ciganos e judeus nos anos 40.

"Decidimos por acordo estabelecer um comitê em vez de ir à Justiça. Este comitê negociará o pagamento individual para os afetados", disse Roger van Boxtel, presidente da NS.

De sua parte, Muller assegurou à emissora holandesa NOS que é "extraordinário" que NS tenha concordado pela primeira vez em compensar as vítimas e reconheceu que este é um resultado que "ousou sonhar, mas que não esperava".

"Para mim, significa que a NS reconhece que o sofrimento não acabou e que segue existindo para muitos judeus. Estou muito feliz que agora (a companhia) reconheça que, efetivamente, pagará por razões morais", completou.

Muller tinha cinco anos quando seus pais foram presos pelos alemães em 1941 e foram transportados em um dos trens da NS de Amsterdã para Westerbork, onde passaram nove semanas até serem conduzidos para Auschwitz, onde foram assassinados.

A companhia ferroviária holandesa não se opôs à deportação de judeus para o campo de concentração e disponibilizou seus trens para os alemães, fornecendo datas específicas nas quais eles poderiam transportar os judeus. Estima-se que a empresa recebeu o equivalente a € 2,5 milhões no transporte das vítimas do Holocausto.

A empresa pediu desculpas em 2005 pelo papel que desempenhou durante a 2ª Guerra, mas até agora se recusava a pagar indenização individual às vítimas.

Liesbeth enfatiza que houve "muita pressão até que a NS cedeu para negociar uma compensação" e ressalta que ainda não foi estabelecido quanto dinheiro será dado aos afetados ou quem tem o direito de solicitar a compensação. / EFE

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