EFE / PRENSA MIRAFLORES
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Companhias aéreas brasileiras reduzem voos para Venezuela

Segundo a Gol, a escassez de dólares e crise venezuelana têm dificultado o fluxo de caixa da empresa no país

Luiz Raatz, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2015 | 20h20

Em meio à grave crise econômica que atinge a Venezuela, as duas companhias aéreas brasileiras que operam voos para o país reduziram nos últimos meses a frequência das rotas para Caracas, como mostrou reportagem do jornal Folha de S.Paulo. A Gol cortou de 11 para 4 as viagens semanais e, enquanto estuda novas alterações, deixou de vender bilhetes para a capital venezuelana em seu site. A TAM limitou-se a dizer que opera apenas voos aos sábados, mas preferiu não comentar a questão.

Segundo o diretor de Relações Institucionais da Gol, Alberto Fajerman, a escassez de dólares na Venezuela tem dificultado o fluxo de caixa da empresa no país. 

“Estamos vendendo mais da Venezuela pra cá do que o contrário. Então, você paga as despesas e tem um dinheiro que sobra”, explicou ao Estado. “Em princípio, você pegaria esse dinheiro e mandaria para a matriz, mas na Venezuela estamos tendo dificuldades de repatriar a divisa, pois o governo não vende os dólares. Então, no caixa, o voo passa a ser deficitário. Porque o dinheiro existe e não se pode usá-lo.”

Ainda de acordo com Fajerman, o problema foi agravado com a decisão do governo venezuelano de cobrar em dólares o combustível para a aviação e a alta do preço do dólar no Brasil. 

“Houve, então, uma determinação (do governo venezuelano) de que o combustível deve ser pago em dólar e aí já não seria possível usar o dinheiro retido lá”, acrescentou. “Além disso, com a situação do transporte aéreo no Brasil, em razão do dólar, estamos avaliando constantemente o voo que vale a pena reduzir ou não. Evidentemente a Venezuela salta aos olhos. Mais importante que lucro ou prejuízo é o fluxo de caixa.”

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estimou no final do ano passado que as companhias aéreas que operam na Venezuela têm US$ 3,6 bilhões retidos em bolívares. Em seu balanço do segundo trimestre deste ano, a Gol informou que ainda tinha R$351,1 milhões em caixa na Venezuela que não tinham sido convertidos em dólares ainda, numa conta que tem como base a taxa de câmbio de 12 bolívares por dólar, atualmente utilizada para companhias aéreas. 

“A Gol não cancela destino, mas sim a frequência para o destino. Estamos avaliando a questão da Venezuela, mas ainda não tomamos a decisão”, acrescentou Fajerman, sobre novos cortes na frequência de voo e a impossibilidade de compra de novas passagens no site. “Além disso, é normal que no final do ano os aviões estejam lotados. Se você não sabe como vai reduzir o tamanho da operação na Venezuela, não é prudente vender algo que não sabe se vai continuar existindo.” Ele ainda afirmou que as relações da companhia com as autoridades venezuelanas é “a melhor possível”.

Nos últimos meses, mais de dez companhias aéreas reduziram voos para a Venezuela para compensar a retenção de divisas no país, entre elas Avianca, Aeroméxico e Air Canada. 

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