AFP PHOTO / KENA BETANCUR
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Comparecimento de colombianos aos centros de votação supera previsão

Votação começou com baixa participação em razão do mau tempo, mas pela tarde o movimento aumentou e muitas pessoas não conseguiram votar porque o horário havia encerrado

Fernanda Simas, Enviada Especial / Bogotá, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2016 | 19h55

BOGOTÁ - O dia da votação histórica que acabou com a rejeição ao acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no país começou com baixo comparecimento na maioria dos centros de votação em razão do mau tempo, mas pela tarde o movimento aumentou e muitas pessoas não conseguiram votar porque o horário havia encerrado. A votação ocorreu das 8h até 16h deste domingo, 2.

Em Bogotá, o presidente Juan Manuel Santos foi um dos primeiros a votar na mesa 1 do centro de votação do Congresso Nacional, na Praça Símon Bolívar. Mais tarde, no mesmo local votou o senador opositor e ex-presidente Álvaro Uribe, partidário e principal líder do “não” ao processo de paz. 

No centro de votação de Corferias, o maior da capital colombiana, as pessoas começaram a fazer filas a partir das 9h30 locais (11h30 em Brasília) e muitos casais levavam seus filhos e até cachorros ao local. Para chegar ao ponto de votação, as ruas foram fechadas e era preciso passar por uma revista policial.

Enquanto as crianças brincavam ou reclamavam de ter que ficar nas filas, os pais conversavam sobre o atual momento do país. “Estamos perdidos com esse presidente. Ele apenas quis fazer um acordo com as Farc para ter um prêmio, mas isso não é bom”, afirmou Julio, enquanto esperava com a filha a mulher votar. Questionado sobre o que seria necessário fazer, ele respondeu: “podemos até renegociar, mas não entregar tudo o que as Farc pedem.”

Camilo tinha a opinião parecida. “Voto 'não' porque não quero dar garantias a narcotraficantes e criminosos, que não serão enviados para a prisão. Eles fizeram muito mal ao país e não pagarão por isso.”

Na parte da tarde, o sol apareceu e o movimento em Corferias aumentou. Enquanto corria com seu guarda-chuva e uma batina branca para não pegar uma fila tão grande, o padre dominicano Rafael disse que votaria "sim" ao acordo e comemorou o momento histórico. “É um momento transcendental. As pessoas podem sair e dizer o que pensam dos acordos feitos, se aceitam ou não. Se serão implementados é outro assunto, mas hoje é um dia muito importante.”

A jovem Andrea Vargas também disse que votaria no "sim". “Eu voto 'sim' principalmente porque aqueles que sofreram com a guerrilha a perdoaram, então nós precisamos contribuir e dar uma chance”, disse enquanto esperava um amigo para votar.

O voto no plebiscito não era obrigatório. Estavam cadastrados para votar 34,9 milhões de colombianos, mas o governo temia uma alta abstenção em razão do mal tempo e a população sabia disso. “Eu voto porque quero uma mudança, mas a maioria dos jovens não vota, é difícil mobilizá-los, ainda mais num dia chuvoso”, comentou John, de 25 anos, antes de votar pelo "sim". 

“É muito importante vir votar. O momento que vivemos é importante, o acordo não solucionará tudo, mas é uma mudança”, afirmou a senhora Elga, acompanhada por uma amiga. As duas votaram pelo "sim". Cerca de 300 mil policiais foram mobilizados em todo o país para garantir a segurança da votação.

Dificuldades. Nos Departamentos (Estados) La Guajira, Atlantico, Bolívar e Magdalena o mau tempo atrapalhou o plebiscito. Em algumas cidades, as pessoas não conseguiram sair para votar em razão do transbordamento de rios e de alagamentos. Na área rural de La Guajira, com a passagem de um furacão, os funcionários do Registro Nacional não conseguiram entregar o material necessário para a realização da votação.

Diante dessa situação, governos locais pediram que o horário do plebiscito fosse estendido até às 18 horas, mas o Conselho Nacional Eleitoral decidiu não ampliar o horário. 

A polícia informou que durante a tarde foi preso um homem em Medellín acusado de ser o responsável por hackear os sites do Registro Nacional e da presidência na última semana. Outras 20 pessoas que estavam com um mandado de prisão expedidos foram detidas em centros de votação do país.

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