Comparecimento de eleitores é similar ao da votação em 2011

Cerca de 73% dos eleitores habilitados vão às urnas, superando por pouco a taxa de 71% das últimas eleições gerais

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL / MADRI, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2015 | 21h28

Um total de 36,5 milhões de eleitores estavam aptos a votar para definir o nome do futuro primeiro-ministro da Espanha – mas raros foram aqueles que saíram às ruas com camisetas, adesivos ou broches, manifestando militância acalorada. Na eleição que rompeu com 30 anos de hegemonia do Partido Popular (PP) e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), nem os partidos emergentes, Podemos e Ciudadanos, causaram grande engajamento entre os espanhóis nas últimas horas antes da definição do novo primeiro-ministro.

As seções eleitorais foram abertas no início da manhã deste domingo e desde cedo ficou claro que o nível de participação seria no mínimo semelhante ao das últimas eleições gerais, realizadas em 2011.

O comparecimento superou em pouco o da última eleição. O número ficou em 73,21% dos aptos a votar, contra os 71,69% de quatro anos atrás. Uma exceção aos indícios de falta de interesse havia sido o fato de mais de 100 mil espanhóis terem pedido para votar pelo correio, uma alta de 14% em relação a 2011.

A taxa de participação era considerada um dos fatores que poderiam decidir a eleição, já que 41% dos eleitores ainda se diziam indecisos uma semana atrás, quando foram publicadas as últimas pesquisas.

Em seções eleitorais como as situadas no Colégio Calasanco, na região de Diego de Léon, em Madri, a reportagem do Estado encontrou longas filas de eleitores no início da tarde.

Como o resultado da eleição demonstraria mais tarde, eles estavam divididos não mais entre dois partidos, PP e PSOE, mas quatro – os tradicionais e mais Podemos e Ciudadanos.

Oportunidade. Javier Belmonte votou pela manhã e acompanhou um parente à tarde. Apesar de se mobilizar, disse lamentar que seus compatriotas não aproveitassem a oportunidade de reformar a Espanha votando em massa em um dos partidos emergentes.

“Queria que as urnas mostrassem que os espanhóis trabalham por uma Espanha melhor, mais aberta ao livre mercado e mais íntegra, sem corrupção”, disse o administrador, eleitor de Albert Rivera, do partido Ciudadanos.

Entre os eleitores do Podemos, a expectativa era sobre a capacidade do novo partido de chegar em segundo lugar, superando o tradicional PSOE. “Vamos ver hoje à noite a ampla derrota de Pedro Sánchez, o que será uma ótima notícia”, disse Felipe Jiménez. “O PSOE é um entulho de outro tempo.”

Em Madri, o que chamava atenção ao longo do dia era a alta presença de espanhóis nas ruas, o comércio aberto e os poucos sinais explícitos de militância política. Raríssimos eram os eleitores que vestiram camisas de partidos ou que portavam adesivos ou broches de candidatos.

Segundo o Ministério do Interior, que organizou a votação, a jornada transcorreu sem incidentes nas 57,5 mil mesas eleitorais espalhadas pelo país.

Em Madri, onde o Estado acompanhou o dia de votação, o movimento começou lento no início da manhã, mas se intensificou por volta do meio-dia, quando filas se formaram em seções eleitorais do centro da capital.

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