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Comparecimento decidirá eleição nos Estados Unidos

Vitória de Donald Trump em 2016 foi graças a comparecimento maior do que o esperado de simpatizantes do presidente; ataque às congressistas democratas é estratégico

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2019 | 05h00

A explicação mais razoável para a vitória de Donald Trump em 2016 é também a mais simples: nos Estados críticos, o comparecimento foi superior ao esperado no eleitorado simpático a Trump (brancos sem formação universitária), e inferior, no simpático aos democratas (negros, latinos, jovens, diplomados nas faculdades e outras minorias).

Dos 66 milhões que votaram em Barack Obama em 2012, 4,4 milhões ficaram em casa em 2016. Entre os negros, o comparecimento caiu 8%. Entre os brancos, subiu 3%. A campanha de Trump foi eficaz ao reduzir a presença dos rivais nas urnas. Para ele vencer, bastaram 77 mil votos em três Estados: Michigan, Wisconsin e Pensilvânia.

O alto comparecimento costuma favorecer os democratas, como ocorreu em 2018, quando votaram perto de 50% dos eleitores registrados – recorde ante a média histórica de 40% nas eleições de meio de mandato. A mobilização contra e a favor de Trump leva a crer que outro recorde será quebrado em 2020. Fala-se em até 70% votando. Em 2016, foram 60%. Desde 1916, o máximo nas presidenciais foi 63,8%, em 1960.

Repousam aí as esperanças democratas. Uma análise do blog The Upshot demonstra, contudo, que podem ser prematuras. Com base em pesquisas com 50 mil eleitores numa centena de condados críticos, conclui que a opinião sobre Trump é mais favorável em grupos que não votaram em 2018, em especial jovens e eleitores do Meio-Oeste. Se votarem em 2020, é provável que não seja nos democratas.

Há uma estratégia, portanto, nos ataques racistas de Trump às congressistas democratas de origem estrangeira. É o tipo de jogada que funcionou da primeira vez, ao ampliar o comparecimento dos brancos no Meio-Oeste. Pouco importa que os democratas levem mais gente às urnas em Estados como Nova York ou Califórnia, onde a disputa já está definida. O essencial para Trump é atrair quem lhe garantiu a vitória em 2016, mas em 2018 não votou.

Democratas - Harris dá sorte e volta a enfrentar Biden em debate

A senadora democrata Kamala Harris se deu bem no sorteio para o debate entre os pré-candidatos democratas na rede CNN. Voltará a enfrentar o ex-vice-presidente Joe Biden, favorito nas pesquisas, com quem protagonizou o confronto que a projetou ao pelotão de liderança. Os dois estarão juntos na segunda noite, no próximo dia 31. A primeira, dia 30, reunirá os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren, também bem posicionados nas pesquisas.

Disputa - Eleitores asiáticos serão decisivos na Califórnia

Californiana descendente de indianos e jamaicanos, Harris está em situação privilegiada para obter apoio de um eleitorado que ganha relevância: americanos de origem asiática. São quase 4% dos eleitores (na Califórnia, 15%). Dois terços votam nos democratas. A Califórnia, antes relegada ao final do calendário das primárias, antecipou a escolha para o dia 3 de março, terça-feira decisiva em que 14 Estados escolherão mais de 1.300 delegados à convenção. Quase um terço deles serão californianos.

Demografia - Chineses trocam democratas por republicanos

Duas causas têm contribuído para tornar republicana uma comunidade antes fiel aos democratas: eleitores de origem chinesa, um quinto do eleitorado asiático nos EUA. Primeira, o combate à legalização da maconha para uso recreativo. Segunda, a luta contra as ações afirmativas, que limitam o acesso de asiáticos a universidades de elite.

Educação - Menos estrangeiros nas faculdades americanas

Somando 1,1 milhão, alunos estrangeiros representam quase 6% dos matriculados em faculdades americanas. Mas as novas matrículas caíram 10% nos últimos dois anos, em virtude do endurecimento na política migratória. Além de representar um baque no orçamento das universidades, a queda reflete a redução no poder de atrair cérebros e dinamizar a economia. A competição vem sobretudo de Canadá, China e Índia, revela análise do economista Nathan Grawe.

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