Comporta para enchentes na Tailândia é foco de receio e raiva

As autoridades na capital da Tailândia consertaram nesta quarta-feira uma comporta para enchentes danificada que se tornou foco de raiva, receio e rivalidade entre lados do governo que lutam contra a pior inundação do país em décadas.

ROBERT BIRSEL, REUTERS

02 de novembro de 2011 | 11h19

O governo central, liderado pela primeira-ministra Yingluck Shinawatra, irmã do premiê populista deposto Thaksin Shinawatra, está em desacordo com o governo da cidade, dominado pelo Partido Democrata, de oposição.

As enchentes que já mataram 427 pessoas desde julho são o primeiro grande teste para Yingluck, que assumiu após uma eleição em julho na qual muitos tailandeses esperavam curar as divisões que desencadearam a violência nas ruas no ano passado.

A parte interna de Bangcoc, protegida por uma rede de diques e muros de sacos de areia, sobreviveu aos picos de maré alta no fim de semana e permanece na maior parte seca.

Mas grandes volumes de água estão retidos no norte, leste e oeste da cidade, e novas áreas são inundadas diariamente enquanto a água tenta chegar ao mar no sul.

No bairro de Sam Wa, no nordeste da cidade, moradores furiosos optaram por resolver o problema com suas próprias mãos esta semana e exigiram a abertura de uma comporta para enchentes de um canal, com intuito de permitir que a água saísse de sua região em direção ao centro da cidade.

A primeira-ministra ordenou a abertura da comporta diante das exigências dos moradores. O governo de Bangcoc foi contra a decisão, argumentando que o fluxo de água colocaria em risco o centro da cidade.

Mesmo assim, a cidade teve que cumprir a ordem de Yingluck para abrir a comporta em um metro, provocando temores entre os moradores do centro de que o desastre que eles acreditavam ter evitado estava se aproximando novamente.

Nesta quarta, autoridades da cidade e trabalhadores foram até a comporta de Sam Wa para reparar os danos e limitar a quantidade de água que passava por ela.

"Estamos aqui fazendo os trabalhos de reparo e a polícia está nos protegendo", disse o porta-voz do governo da cidade Jate Sopitpongstorn. "Eles terão que aceitar," acrescentou, referindo-se aos moradores da vizinhança.

O governador da cidade, Sukhumbhand Paribatra, observou os homens trabalharem com máquinas pesadas para consertar a comporta e minimizou o confronto político, afirmando que todos tinham que cooperar.

Mas, ao se referir à mudança de opinião do governo central com a ordem de abrir a comporta, ele disse que todos tinham que se manter firmes em suas decisões.

As enchentes começaram em julho com o início da temporada de fortes chuvas. Elas já prejudicaram o crescimento econômico e a confiança dos investidores, ao atingirem zonas industriais às margens do rio central Chao Phraya, interrompendo linhas de abastecimento de peças de automóveis e informática.

A água se aproxima do centro de Bangcoc, cidade em que os 12 milhões de moradores representam 41 por cento do Produto Interno Bruto da Tailândia. Salvar o centro de Bangcoc de uma inundação desastrosa seria uma importante vitória para os dois lados --governo central e administração da capital.

Mas a miséria nas zonas periféricas e províncias fortemente inundadas para o norte tiraria o brilho de qualquer vitória, especialmente tendo em conta a percepção de que essas áreas têm sido sacrificadas para salvar a capital.

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