Computador de Nisman foi usado após sua morte

A perícia informática realizada no computador portátil do promotor argentino Alberto Nisman, morto em janeiro em circunstâncias ainda desconhecidas, revelou que o equipamento foi usado pouco depois da hora estimada de sua morte. As informações foram divulgadas ontem pelo jornal La Nación, que citou fontes da investigação.

BUENOS AIRES , O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2015 | 02h05

De acordo com peritos, houve um acesso local, não remoto, ao computador de Nisman às 20h07 do dia 18 de janeiro, quando o promotor já estava morto, mas seu corpo, com um tiro na cabeça, ainda não tinha sido descoberto no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires.

As investigações detectaram que foram introduzidos três pen drives na máquina e os investigadores suspeitam que informações possam ter sido apagadas, segundo revelaram as fontes ao jornal. No entanto, existe a possibilidade de o horário do computador também ter sido manipulado.

Os resultados da perícia são mantidos em segredo como parte da investigação liderada pela promotora Viviana Fein, mas há alguns meses já ocorreu um primeiro vazamento, no qual foi revelado que o computador foi usado na manhã do domingo em que Nisman morreu para consultar e-mail e manchetes de alguns jornais.

Segundo a investigação oficial, Nisman morreu no começo da tarde, enquanto os peritos da denúncia acreditam que sua morte aconteceu entre a véspera e a manhã do dia 18.

Os investigadores também não concordam com as causas da morte. A maioria acredita em suicídio, embora uma equipe contratada pela ex-mulher de Nisman, a juíza Sandra Arroyo Salgado, diz que foi homicídio. O principal envolvido seria Diego Lagomarsino, colaborador de Nisman, que lhe emprestou a arma da qual saiu o tiro que provocou a morte.

Nisman, promotor na investigação do atentado à Amia, morreu horas antes de comparecer a uma comissão do Congresso argentino para detalhar sua denúncia contra a presidente Cristina Kirchner, por suposto favorecimento de terroristas. / EFE

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