EFE/ Olivier Hoslet
EFE/ Olivier Hoslet

Comunicações diplomáticas hackeadas revelam receios da UE sobre Trump, Rússia e Irã, diz 'NYT'

Segundo investigadores da empresa de segurança Area 1, os hackers trabalhavam para o Exército Popular de Libertação da China

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2018 | 08h55

BRUXELAS - Hackers acessaram a rede de comunicações diplomáticas da União Europeia durante anos, baixando telegramas que revelam preocupações sobre o governo Trump, dificuldades para lidar com a Rússia e a China e o risco de o Irã reativar seu programa nuclear, segundo reportagem do New York Times na noite de terça-feira, 18.

Mais de 1.100 telegramas foram enviados ao jornal pela empresa de segurança Area 1 depois que a violação foi descoberta, afirmou o Times, acrescentando que investigadores da companhia acreditam que os hackers trabalhavam para o Exército Popular de Libertação da China.

Os telegramas incluem memorandos de conversas com líderes da Arábia Saudita, Israel e outros países que foram compartilhados pela União Europeia, de acordo com a reportagem.

Um dos telegramas, segundo o Times, mostra diplomatas europeus descrevendo uma reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, na Finlândia, como “bem-sucedida (ao menos para Putin)".

Outro, escrito depois de um encontro em 16 de julho, encaminhou um relato detalhado e uma análise de conversas entre autoridades europeias e o presidente chinês, Xi Jinping, que foi citado comparando o “bullying” de Trump contra Pequim a “uma luta de boxe de estilo livre sem regras”.

Em um terceiro, de 7 de março, Caroline Vicini, vice-líder da missão da UE em Washington, recomenda que diplomatas do bloco descrevam os EUA como “nosso parceiro mais importante”, apesar de contestar Trump “em áreas nas quais discordamos dos EUA (por exemplo clima, comércio, acordo nuclear do Irã)”.

Os hackers também invadiram redes da Organização das Nações Unidas (ONU), da Federação Americana do Trabalho e do Congresso de Organizações Industriais (AFL-CIO) e de Ministérios das Relações Exteriores e das Finanças de diversos países pelo mundo, acrescentou a reportagem. / REUTERS 

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