Comunidade internacional apóia processo de paz colombiano

A comunidade internacional deu seu apoio às negociações entre governo e guerrilha na Colômbia e considerou que os avanços no processo de paz "só têm sentido se forem irreversíveis". No término de seu encontro, ontem, com representantes do governo e comandantes guerrilheiros, os representantes de mais de 27 países e de organismos regionais e internacionais assinaram uma declaração em que elogiaram "a decisão das partes de prosseguir com o processo de paz", congelado unilateralmente durante quase quatro meses pelos rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).No documento, os diplomatas também valorizaram "a disposição expressada pelas partes de não interromper os diálogos", ao mesmo tempo que ofereceram sua "colaboração para que possam ser concretizados com fatos os acordos sobre os temas que se estão negociando". Os representantes dos países presentes ao encontro também deixaram claro seu apoio a "uma saída política para o conflito interno" em que vive a Colômbia há 40 anos - e, para tanto, reconheceram a importância das discussões sobre a erradicação manual das plantações de coca e a co-responsabilidade das partes na proteção e recuperação do meio ambiente. Só neste ano, já foram erradicados por fumigação aérea cerca de 29.000 hectares de plantações ilícitas no sul do país. Os indígenas da região se queixaram no mês passado dos danos causados por tal sistema a suas plantações de milho, banana e mandioca. Ao final da reunião de hoje entre governo e guerrilha, que durou oito horas, Camilo Gómez, o Comissário para a Paz governamental, disse que o encontro propiciou "um intercâmbio muito franco" e houve interesse das partes em concretizar alguns pontos da agenda de negociações. Entre eles, o acordo humanitário, o cessar-fogo e a cessação de hostilidades contra a população civil, além da busca de mecanismos que possam diminuir o conflito". Quanto à sugestão feita ontem pelas FARC, de a Colômbia decretar uma moratória de cinco anos no pagamento dos juros de sua dívida externa, o governo de Bogotá a considerou hoje "inexeqüível".

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