Comunidade internacional condena violência na Síria

Dia de confrontos entre forças do governo e manifestantes deixou cem mortos; Obama critica presidente sírio.

BBC Brasil, BBC

31 de julho de 2011 | 20h21

A comunidade internacional condenou a violência na Síria onde, em um dos dias mais violentos desde o início dos protestos contra o governo em março, mais de cem pessoas foram mortas neste domingo.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que as informações vindas da Síria eram "horríveis".

"Mais uma vez, o presidente (Bashar al-Assad) mostrou que ele é completamente incapaz e não quer atender às queixas do povo sírio", afirmou.

Obama afirmou que está consternado e horrorizado com o uso de "violência e brutalidade contra seu próprio povo" por parte do governo sírio e acrescentou que os Estados Unidos continuarão a trabalhar para isolar o governo de Assad.

A União Europeia afirmou que os ataques das forças de segurança contra os manifestantes não tem justificativa e o governo da Itália pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para adotar uma posição firme contra a Síria.

Grã-Bretanha, França e Alemanha também condenaram a reação violenta do governo sírio.

O governo da Turquia, por sua vez, afirmou que o mundo muçulmano está profundamente decepcionado pela violência crescente no país.

Ofensiva do governo

Segundo ativistas pelo menos cem pessoas morreram em todo o país neste domingo devido à ofensiva do governo contra os manifestantes de oposição.

Os confrontos foram mais violentos e deixaram mais mortos na cidade de Hama, que foi atacada por tanques logo ao amanhecer.

Segundo testemunhas os tanques dispararam contra civis na cidade. Hama é o centro de alguns dos maiores protestos contra o governo do presidente Bashar al-Assad, e esteve cercada pelo Exército durante o último mês.

O governo informou que os soldados foram enviados neste domingo à cidade para retirar as barricadas colocadas nas ruas pelos manifestantes.

No começo da noite, ativistas em Hama disseram à BBC que a cidade estava calma e que os tanques tinham saído depois de não conseguir retomar o controle do centro da cidade.

De acordo com a correspondente da BBC em Damasco, Lina Sinjab, o ataque mostra que o Exército não vai tolerar manifestações de larga escala pouco antes do mês do Ramadã - mês sagrado para os muçulmanos - quando os protestos devem aumentar.

Mas, segundo Sinjab, a população de Hama parece manter a postura desafiadora, com algumas pessoas ainda nas ruas gritando "Não vamos ser mortos de novo", em uma referência a um massacre ocorrido em 1982, quando dezenas de milhares de pessoas morreram.

A maioria dos jornalistas estrangeiros teve a entrada e permanência no país proibidas, dificultando a verificação das informações.

Outras cidades

Outras cidades da Síria também tiveram confrontos em um dos dias mais violentos desde que os protestos contra o governo de Assad começaram.

Ativistas afirmam que cerca de 30 pessoas foram mortas no resto do país apenas nos confrontos deste domingo.

Testemunhas informaram que as forças de segurança no bairro de Harasta, em Damasco, atiraram bombas contra uma multidão de manifestantes, ferindo cerca de 50 pessoas. Já no bairro de Muadhamiya, outras cem pessoas foram presas, de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos.

Moradores da cidade de Hirak, no sul do país, disseram que quatro civis foram mortos e dezenas ficaram feridos ou foram detidos nos confrontos.

Ativistas ainda informaram que pelo menos sete pessoas foram mortas na capital da província de Deir al-Zour, no leste do país, onde os tanques estão patrulhando as ruas.

Em um comunicado, o governo sírio disse que cinco soldados foram mortos em todo o país. A nota diz que grupos armados estão queimando delegacias de polícia e vandalizando propriedades públicas e privadas em Hama.

Ativistas dizem que mais de 1.500 civis e 350 oficiais das forças de segurança foram mortos na Síria desde o início dos protestos, em meados do mês de março. Mais de 12,6 mil pessoas foram presas e outras 3 mil estariam desaparecidas.

E muitos dos manifestantes radicalizaram suas exigências frente à repressão do governo, pedindo a renúncia do presidente.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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