Comunidade internacional é unânime em condenar decisão norte-coreana

A comunidade internacional manifestou em coro nesta sexta-feira sua preocupação pela decisão da Coréia do Norte de abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). O Japão e a Rússia pediram à nação que volte atrás em sua decisão. O primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, que se reuniu hoje em Moscou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que o Japão tem a intenção de cooperar com os Estados Unidos e outros países envolvidos para tentar resolver a crise sobre o programa nuclear norte-coreano.A Rússia declarou que a decisão poderá intensificar a já tensa situação na Península Coreana e exortou a Coréia do Norte a "prestar atenção" à opinião da comunidade internacional. A Rússia, que faz fronteira com a isolada nação, é o único membro do G-8 - o grupo dos principais países industrializados - a ter ligações com a Coréia do Norte, sendo uma das poucas potências com capacidade de exercer pressão sobre ela.O ministro russo de Energia Atômica, Alexander Rumiantsev, disse hoje que há mais de dez anos a Rússia não participa dos projetos nucleares da Coréia do Norte, mas declarou que seu conhecimento nesta área pode ser valioso na resolução do conflito. O primeiro reator nuclear a entrar em funcionamento na Coréia do Norte, na localidade de Yongbyon, nos anos 60, era soviético e nele trabalharam especialistas formados na antiga URSS.A China, o principal aliado da Coréia do Norte, também manifestou hoje desacordo e preocupação, mas não pediu ao país vizinho que voltasse atrás em sua decisão, apesar de exortar uma resolução pacífica para a crise. "Estamos preocupados com este anúncio de retirada do tratado, assim como as possíveis conseqüências deste ato", disse Zhang Qiyue, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, citado pela agência de notícias Nova China.A Coréia do Sul, por sua vez, manifestou seu desapontamento com a vizinha Coréia do Norte, dizendo que sua atitude representava uma ameaça à paz, e pediu ao país que volte atrás. Além disso, o governo sul-coreano solicitou uma reunião de urgência do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) para discutir a questão.A França condenou a decisão norte-coreana e disse que o CS da ONU deve agir para tentar solucionar a crise - proposta apoiada por Alemanha e Grã-Bretanha. A Austrália, um dos poucos países que mantêm relações diplomáticas com a Coréia do Norte, informou hoje que enviará uma delegação de alto nível a Pyongyang, capital da Coréia do Norte, na próxima semana para tentar ajudar a resolver o impasse internacional.A reação inicial dos Estados Unidos foi cautelosa. "De certa forma, não foi uma decisão inesperada", comentou John Bolton, subsecretário de Estado para controle de armas e segurança internacional, durante visita à Tailândia.

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