Claudia Trevisan/Estadao
Claudia Trevisan/Estadao

Comunidade nos EUA se divide sobre aproximação

Famílias e descendentes de exilados divergem entre si e influenciam parlamentares que podem aprovar ou vetar o fim do embargo

Claudia Trevisan/Enviada Especial/Cuba, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2015 | 01h00

Separados pelo Estreito da Flórida e por uma história de cinco décadas de hostilidades, cubanos e filhos de cubanos que se exilaram nos Estados Unidos viram no hasteamento da bandeira americana ontem em Havana mais do que o símbolo do restabelecimento de relações entre antigos adversários da Guerra Fria. Para eles, a mudança geopolítica tem um significado pessoal, que atinge relações familiares e traz a promessa de outras mudanças na ilha.

Segurando uma bandeira dos Estados Unidos, Oslandy López estava às 8 horas de ontem na calçada ao lado da embaixada americana, à espera da cerimônia que teria início duas horas mais tarde. “Estou muito emocionado”, disse à reportagem do [BOLD]Estado[/BOLD]. Com tom de urgência na voz, acrescentou: “Eu quero mudança, uma mudança total. Política, econômica e social”, afirmou o jovem de 26 anos, que estuda cosmetologia.

López disse que não quer se juntar aos 2 milhões de cubanos que vivem nos Estados Unidos, o equivalente a quase 20% dos 11 milhões de habitantes da ilha. “Quero ficar em meu país, mas gostaria que mudasse tudo.”

Mais contidos, outros cubanos que acompanharam a cerimônia de longe concentraram suas expectativas em torno das transformações econômicas. O escritor e jornalista Bruno Javier Machado, de 59 anos, estava com a mulher, Margarita Sánchez, e a filha, Donna Gladis Machado Sánchez, de 15 anos.

“Esse é um ponto de inflexão na história. Não sabemos ainda o que acontecerá no futuro, mas é um passo para que os povos dos dois países se aproximem.” Segundo ele, as mudanças econômicas são as mais esperadas entre os cubanos da ilha.

A decisão do presidente americano, Barack Obama, de restabelecer relações diplomáticas com Havana foi criticada por uma parcela dos cubano-americanos, principalmente os que deixaram Cuba logo depois da revolução comandada por Fidel Castro em 1959. Outras ondas migratórias ocorreram desde os anos 80, motivadas especialmente pelas dificuldades econômicas de Cuba.

A oposição de parlamentares que representam essa comunidade no Congresso, em Washington, é o principal obstáculo ao fim do embargo econômico que vigora desde 1961. A medida precisa ser aprovada pelo Legislativo.

Ex-deputado democrata pela Flórida, Joe Garcia avaliou que o aumento do contato entre os cubanos e os cubano-americanos ajudará a reduzir a resistência ao levantamento das sanções, defendido por Obama. Nascido nos EUA, Garcia é filho de exilados cubanos que deixaram a ilha em 1961.

Ontem, ele era um dos convidados para a cerimônia de reabertura da embaixada, na primeira visita a Cuba em seus 51 anos de vida. Na opinião do ex-parlamentar, o fim das sanções virá, mas ainda é necessário criar um consenso em torno da decisão na comunidade cubana dos EUA. “Estamos nos aproximando disso.”

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