EFE/EPA/KHALED ELFIQI
EFE/EPA/KHALED ELFIQI

Comunidade vive sob ameaça crescente

Cristãos egípcios alegam que não há segurança no país, principalmente diante do aumento dos ataques de extremistas

O Estado de S.Paulo

10 Abril 2017 | 05h00

TANTA, EGITO - O braço do Estado Islâmico (EI) no Egito vem aumentando os ataques e ameaças a cristãos, que compreendem aproximadamente 10% dos 90 milhões de habitantes do Egito e formam a maior minoria cristã no Oriente Médio. Em fevereiro, muitas famílias e estudantes cristãos fugiram da Província egípcia do Sinai do Norte após uma série de assassinatos direcionados.

Esses ataques se seguiram a um dos mais mortais contra a minoria cristã do Egito, quando um terrorista suicida atingiu sua maior catedral copta, matando pelo menos 25 pessoas em dezembro. O EI posteriormente reivindicou a autoria do ataque.

O grupo extremista vem travando uma guerra contra soldados e policiais na Península do Sinai do Egito há anos, mas agora está visando a cristãos e ampliando seu alcance ao território central egípcio. Esse é um potencial ponto de virada em um país que está tentando evitar que uma insurgência provincial desemboque num banho de sangue sectário.

Apesar de os coptas terem recebido ataques de vizinhos muçulmanos, que queimaram suas casas e igrejas em áreas rurais pobres, no passado, a comunidade se sentiu cada vez mais insegura desde que o EI se espalhou pelo Iraque e pela Síria em 2014.

“É claro que nos sentimos visados, havia uma bomba aqui cerca de uma semana atrás que foi desarmada. Não há nenhuma segurança”, disse uma mulher cristã em Tanta se referindo a um ataque anterior neste mês perto de um centro de treinamento da polícia.

Wahby Lamie, que teve um sobrinho morto e outro ferido na explosão de ontem em Tanta, estava exasperado. “Por quanto tempo vamos ficar divididos assim? Qualquer um que for diferente deles agora é um infiel, seja ele muçulmano ou cristão. Eles os veem como infiéis”, disse Lamie. “Por quanto tempo mais essas pessoas vão existir? E por quanto tempo a nossa proteção será tão incompetente?”

Os ataques de ontem destacam as dificuldades que o governo de Abdel Fattah Al-Sissi tem para proteger os cristãos do país. “Onde está o governo?”, gritava Maged Saleh, que correu para a igreja na cidade de Tanta, onde estava sua mãe. “Não existe governo!”

“O que aconteceu é um indicativo perigoso que mostra o quão fácil é atacar uma aglomeração de pessoas em diferentes lugares”, afirmou o pesquisador Ishaq Ibrahim, do Egyptian Initiative for Personal Rights. “Há uma completa falha do governo em levar a sério a ameaça representada pelo EI.”

Nações Unidas. O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou os ataques de ontem no Egito e expressou “suas profundas condolências às famílias das vítimas, ao governo e aos cidadãos da República Árabe do Egito”. / AP

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