Governo do Estado de São Paulo
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Comunidade libanesa no Brasil organiza ajuda humanitária para vítimas em Beirute

Consulado-Geral do Líbano em São Paulo estima a presença entre 8 e 10 milhões de libaneses no País, sendo que metade reside no Estado paulista

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2020 | 21h06

As explosões em um depósito onde estavam armazenadas toneladas de nitrato de amônio no porto de Beirute, no Líbano, que deixaram bairros em destroços, comoveram o mundo. Quase 140 vidas foram perdidas, mais de 5 mil ficaram feridos e ao menos 300 mil estão desalojados. No Brasil, comunidades libanesas preocupadas lançaram iniciativas de ajuda humanitária para as vítimas da tragédia ocorrida em um país que já sofre com uma economia fragilizada e a pandemia de coronavírus.

A Embaixada do Líbano no Brasil, que esteve à frente de ações pedindo doações de suprimentos médicos e equipamentos no enfrentamento à covid-19, agora solicita ajuda para o atendimento às vítimas da explosão e para a reconstrução da área atingida. 

No comunicado divulgado pela representação, há pedidos de suprimentos cirúrgicos e hospitalares, itens alimentícios (tais como trigo, farinha, grãos e comidas enlatadas de todos os tipos),  materiais de construção e instalações e equipamentos necessários para reconstruir e equipar o porto de Beirute.

Ajuda humanitária

Em paralelo à iniciativa da embaixada, pelo menos três entidades decidiram se unir em uma campanha para arrecadar recursos financeiros, que serão usados para adquirir itens necessários, que, posteriormente, serão enviados ao Líbano. 

A Associação Médica Líbano Brasileira (AMLB) divulgou uma conta bancária na quarta-feira, 5. "Estamos em contato também com diversas entidades, entre elas a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) e a Câmara de Comércio Brasil-Líbano (CCBL). Conversando para saber como será feita toda a logística. Muitas lideranças libanesas e entidades hospitalares também demonstraram interesse em nos ajudar", afirma Robert Sami Nemer, médico oftalmologista e presidente da AMLB.

Em um primeiro momento, será feita uma ação emergencial para a aquisição e envio dos itens o quanto antes. "Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com capacidade para 22 toneladas fará o transporte nos próximos dias. Já estamos conversando com o governo brasileiro sobre a viabilidade deste processo". 

A Embaixada do Líbano no Brasil também disse que o governo brasileiro cedeu um avião da FAB para o transporte de doações ao Líbano. O Ministério da Defesa confirmou a informação. Segundo a CCAB, a aeronave partirá na próxima quarta-feira, 12.

Posteriormente, a entidade quer continuar com a campanha para ajudar na reconstrução de Beirute. "Vamos continuar arrecadando para manter a ajuda em um segundo momento".

Nascido na cidade libanesa, Nemer ainda demonstra ter fortes raízes com suas origens. "Morei lá até os 17 anos. Sai em 1976, durante a guerra civil e vim para o Brasil". Mesmo longe e já sem sotaque, ele ficou muito sensibilizado com a tragédia. "Eu decidi não somente me solidarizar, mas também criar uma campanha para ajudar de forma efetiva."

O Consulado-Geral do Líbano em São Paulo também está apoiando a ajuda humanitária. "Precisamos da ajuda de todos para ter uma quantia significativa que será utilizada na compra de material médico/ hospitalar e outras compras que se façam necessárias", disse, em nota, citando as campanhas.

"É muito triste e chocante essa situação que se soma aos transtornos já enfrentados por causa da crise financeira e da pandemia, já que a tragédia pode impactar no aumento de infectados", diz Rubens Hannun, presidente da CCAB, que também participa da iniciativa.

Hannun tem fortes vínculos com a comunidade. Ele é árabe e vem de família síria e libanesa. "A tragédia no Líbano é profundamente sentida por mim e por toda nossa entidade, que busca continuamente fortalecer os laços entre o Brasil e os países da Liga Árabe”.

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"Estamos nos unindo para conseguir recursos financeiros. Também estamos definindo com quanto a Câmara poderá contribuir. Pessoas físicas também podem participar. Em uma ação inicial e emergencial, pretendemos adquirir produtos na linha médica, alimentos não perecíveis, na sua maioria, e materiais de construção com o dinheiro arrecadado". Depois, a entidade também quer continuar com a campanha, de forma a contribuir para a reconstrução da cidade.

"Começamos a campanha na quarta-feira e estamos em contato com outras associações para que também participem. Estamos alinhados com o governo brasileiro. Ainda não há detalhes do voo, mas o governo brasileiro está empenhado em colaborar", disse Hannun.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirma que "o governo brasileiro está em contato com o governo libanês para identificar necessidades que possam ser atendidas pela cooperação bilateral e para estruturar a ajuda humanitária a ser oferecida, em articulação também com a sociedade civil".

De acordo com pesquisa realizada neste ano a pedido da CCAB, cerca de 12 milhões de brasileiros são de ascendência árabe, sendo quase 30% libaneses. Já o Consulado-Geral do Líbano em São Paulo estima a presença entre 8 e 10 milhões de libaneses no País, sendo que metade reside no Estado paulista.

Confira as contas bancárias para depósitos:

Beneficiário: Associação Médica Líbano Brasileira

CNPJ: 08.326.792/0001-09

BANCO: Santander (033)

AG: 1199

CC: 13000982-5

Beneficiário: Câmara de Comércio Árabe-Brasileira:

CNPJ: 62.659.784/0001-11  

Banco: Santander (033)

Agência: 3681

Conta Corrente: 13003341-5

Beneficiário: Câmara de Comércio Brasil-Líbano

CNPJ: 62370887/0001-67

Banco: Bradesco (237)

Agência: 0099

Conta Corrente: 302324-9/500

Como as campanhas começaram recentemente, ainda não foram divulgados os valores arrecadados até o momento.

Homenagem no Rio

Nesta noite de quinta-feira, o Cristo Redentor receberia uma projeção da bandeira do Líbano em solidariedade às vítimas da explosão. 

A iniciativa é do Consulado-Geral do Líbano no Rio de Janeiro, da comunidade libanesa no Rio de Janeiro, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, das Igrejas Melquita, Maronita e Ortodoxa e das instituições Líbano-brasileiras do Rio de Janeiro.

Durante o ato, o reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar, faria uma oração pelas vítimas.

Fundado por famílias de origem síria e libanesa, o Hospital Sírio-Libanês também prestou solidariedade às vítimas da tragédia em Beirute.

"Essa realidade se faz ainda mais preocupante frente aos desafios sanitários e econômicos que muitos países estão atravessando por conta da pandemia do novo coronavírus", afirma, em nota.

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