Concurso de Misses é estopim para conflito religioso na Nigéria

Empunhando qualquer coisa que pudesse servir como arma - de pedras a rifles - hordas de muçulmanos e cristãos travaram verdadeiras batalhas campais nesta sexta-feira na Nigéria, no terceiro dia de um conflito religioso que causou a destruição de templos religiosos e resultou em corpos queimados pelas ruas de Kaduna, no norte do país. Pelo menos 100 pessoas morreram em meio ao caos iniciado após a publicação de um artigo no jornal ThisDay sobre o concurso Miss Universo.O conflito chegou hoje à normalmente calma capital, Abuja, onde o concurso será realizado em 7 de dezembro. Manifestantes muçulmanos armados de paus, machetes e objetos cortantes queimaram carros e atacaram pedestres em frente aos hotéisluxuosos da cidade após se reunirem em frente à mesquistacentral ao término da orações vespertinas.Também nesta sexta-feira, colunas de fumaça subiam para os céus de Kaduna, uma cidade de milhões de habitantes onde seguidores de diversas religiões vivem em tensão. As autoridades impuseram um extenso toque de recolher, apesar de muitas pessoas terem desrespeitado a ordem.A Cruz Vermelha nigeriana informou a existência de aproximadamente 100 mortos nos choques religiosos até a manhã de hoje, disse George Benet, presidente da delegação da Federação Internacional da Cruz Vermelha no país. Segundo ele, porém, ainda é impossível confirmar um número exato de vítimas. Outros funcionários da Cruz Vermelha calculam os feridos emmais de 500.Apesar da violência, a promotora do concurso Miss Universo, Stella Din, disse que o evento transcorrerá conforme previsto."Definitivamente, o show vai continuar", disse ela a jornalistas em Abuja. Din afirmou estar "entristecida" com as mortes, mas insiste que elas não foram causadas por causa do concurso de Miss Universo. Todas as beldades concorrentes estavam a salvo em seu hotel em Abuja, garantiu. Grupos islâmicos vêm avisando há meses que protestarão contrao evento, que segundo eles promove a promiscuidade e aindecência. As reclamações fizeram os organizadores adiarem afinal para depois do Ramadã, mês sagrado de jejum e orações para os muçulmanos.A violência começou na quarta-feira em Kaduna, 360 quilômetros a nordeste de Abuja, quando a sucursal do ThisDay foi incendiadadepois de o jornal ter publicado um artigo sugerindo que o profeta Maomé teria vontade de escolher uma esposa entre as concorrentes a Miss Universo.O jornal publicou um breve pedido de desculpas na primeira página de sua edição de segunda-feira e uma retratação maisextensa na quinta.

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