Condenada à morte, mulher de Bo Xilai pode deixar prisão em 9 anos

Legislação chinesa permite concessão de benefício para réus que receberam sentença parecida com a de Gu

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h02

Sentenciada à "pena de morte suspensa por dois anos", Gu Kailai deverá ser beneficiada pela transformação da pena em prisão perpétua e poderá ganhar liberdade em alguns anos para realizar tratamento médico, segundo especialistas em legislação e no sistema judiciário local. A suspensão da execução foi criticada por muitos internautas chineses, que consideraram a penalidade leve para um caso de homicídio confesso.

"Pense bem: se um cidadão comum matasse um estrangeiro por benefícios econômicos, qual seria o veredicto?", perguntou em seu microblog o advogado Liu Xiaoyuan. A China executa a cada ano cerca de 4.000 pessoas, mais do que todos os outros países do mundo somados.

Filha de um general revolucionário e mulher do ex-líder Bo Xilai, Gu faz parte da aristocracia comunista, que desfruta de privilégios negados à maioria dos chineses. Bo fazia parte do Politburo, a segunda instância de poder da China, e era candidato a ocupar uma das nove cadeiras do órgão máximo de comando do país.

Sua ascensão foi interrompida pela revelação, em fevereiro, de que Gu havia envenenado o britânico Neil Heywood, encontrado morto num hotel de Chongqing em novembro. A megacidade era governada por Bo.

Segundo a entidade norte-americana Dui Hua, que defende direitos dos presos chineses, a legislação local prevê a libertação para tratamento médico depois de nove anos, no caso de condenados à pena de morte suspensa. Estudo feito em 2006 indicou que os que recebiam esse tipo de sentença acabavam ficando em média 18 anos na prisão. O cúmplice de Gu, Zhang Xiaojun, que ajudou a preparar o veneno, foi sentenciado a 9 anos de prisão - pena inferior aos 11 anos que o ganhador do Nobel da Paz Liu Xiaobo cumpre pela acusação de tentar subverter o poder do Estado.

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