Condenada, ativista retoma rotina de isolamento em Mianmar

Suu Kyi, líder pró-democracia na nação asiática, foi sentenciada a mais 18 meses de prisão domiciliar

Efe,

12 de agosto de 2009 | 12h52

A líder do movimento democrático de Mianmar e vencedora do prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, retomou nesta quarta-feira, 12, a rotina que marcou grande parte de suas últimas duas décadas de vida, um dia depois de ser condenada mais uma vez à prisão domiciliar pelo governo do país.

 

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Um comboio policial de seis carros a transferiu nesta terça para casa, depois que um tribunal militar especial a declarou culpada de violar os termos da prisão domiciliar por receber um americano.

 

Suu Kyi foi sentenciada a três anos de trabalhos forçados, uma pena que acabou reduzida para 18 meses de reclusão em casa pela Junta Militar. Ainda assim, a ativista de direitos humanos deverá ficar de fora da cena política a meses das eleições presidenciais, marcadas para 2010.

 

A sentença gerou uma série de condenações internacionais, de Londres a Tóquio, passando pelos principais líderes do planeta, como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e o presidente americano, Barack Obama. Nesta quarta, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual Mianmar faz parte, qualificou de "decepcionante" a decisão da Justiça e pediu a libertação de Suu Kyi.

 

A defesa da líder opositora já trabalha para recorrer da decisão judicial, embora com poucas possibilidades de conseguir êxito. Nyan Win, advogado e porta-voz da Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido de Suu Kyi, anunciou hoje que recorrerá da decisão perante o Tribunal de Apelações, por considerar a sentença "incorreta".

 

No entanto, Suu Kyi já começou a cumprir a pena no antigo lar de sua mãe, um casarão colonial no número 54 da Avenida da Universidade, onde viveu seus outros períodos de reclusão.

 

A líder pró-democracia é acompanhada por suas já frequentes assistentes, Daw Khin Win, de 60 anos; e sua filha Win Ma Ma, de 30, militantes da LND que moram com ela há muito tempo e que foram condenadas à mesma pena de Suu Kyi.

 

Laços amarelos colocados por seus seguidores e uma nova cerca junto ao lago para impedir visitas indesejadas deram as boas-vindas a Suu Kyi na terça, após passar os quase três meses que durou o julgamento no presídio de segurança máxima de Insein, nos arredores de Yangun.

 

A casa de dois andares para onde Suu Kyi foi levada está praticamente sem mobília, já que a Nobel se viu obrigada a vender parte dos móveis e utensílios de sua mãe ao longo dos anos para não depender do regime.

 

No início do mês, a líder solicitou aos advogados que ordenem uma remodelação da casa, de aspecto decadente e com problemas na estrutura. Porém, é provável que isso não ocorra, pois qualquer visita deve ser previamente aceita pelas autoridades, e os operários e arquitetos não são exceção. Suu Kyi também vive com sem correio e telefone e até as visitas de seus filhos são censuradas.

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