Condenado 1º soldado dos EUA por abuso em prisão no Iraque

O primeiro membro do serviço de inteligência militar americano julgado pelos abusos cometidos na penitenciária de Abu Ghraib foi condenado neste sábado, por uma corte marcial americana instalada em Bagdá, a oito meses de prisão, rebaixamento de posto e expulsão por má conduta.O soldado de primeira classe Armin Cruz, de 24 anos, analista de inteligência militar, declarou-se culpado de maus-tratos e de conspiração para maltratar prisioneiros e a corte marcial aceitou sua declaração de culpabilidade.Cruz é a oitava pessoa a ser acusada pelos abusos na prisão iraquiana, que provocaram o repúdio mundial quando foram denunciados em abril. Este caso é significativo, pois é o primeiro no qual um membro das forças militares de inteligência é levado a julgamento.O Pentágono alega que os abusos foram responsabilidade de alguns "maus militares" que atuaram por conta própria, e não sob ordens de funcionários de inteligência.Cruz, um reservista do Texas, membro do 325º Batalhão de Inteligência, foi acusado de ordenar a outros companheiros que obrigassem os detidos a tirarem as roupas com as mãos algemadas e depois se arrastarem pelo chão de modo que seus genitais tocassem o piso.Uma fotografia tirada em 25 de outubro mostra Cruz e outros dois militares da inteligência ao fundo, enquanto policiais militares - o sargento Ivan Frederick e o soldado Charles Graner - abusavam dos três prisioneiros no primeiro plano.DefesaEle também é acusado de conspirar com a polícia militar para esconder as torturas contra os prisioneiros iraquianos e de ter maltratado os subordinados para que não revelassem os fatos. Já Stephen Karns, advogado civil de Cruz, descreveu o soldado como um "herói de guerra" que atuou fora dos padrões em Abu Ghraib, pois estava sofrendo de um "estresse traumático" após um ataque com morteiros que atingiu um companheiro.Cruz foi condecorado com a medalha Purple Heart após o ataque de morteiro contra a prisão, há um ano, e foi indicado para uma Estrela de Bronze, mas a condecoração foi suspensa por causa da investigação.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.