Condoleezza Rice faz visita histórica à Líbia

Secretária de Estado diz que EUA não têm inimigos permanentes; última autoridade esteve no país em 1953

Agências internacionais,

05 de setembro de 2008 | 13h43

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, chegou nesta sexta-feira, 5, à Líbia para uma visita histórica, tornando-se a primeira funcionária de alto escalão do governo americano a visitar o país norte-africano desde 1953 e abrindo um novo capítulo na história das relações entre esses dois antigos inimigos.   Veja também: Para Rice, Líbia é mais que apenas petróleo Rússia aumenta isolamento por conflito na Geórgia, diz Rice   Rice foi recebida com uma cerimônia modesta no aeroporto e tinha um encontro com o ministro de Relações Exteriores líbio, antes do ponto alto da viagem - o jantar com Kadafi. Ele a convidou para a refeição que interrompe o dia de jejum, observado durante o mês sagrado do Ramadã. Havia poucos detalhes disponíveis sobre o encontro, mas a expectativa era que o jantar ocorresse em uma tenda tradicional, semelhante à usada no deserto. Kadafi deveria estar cercado apenas por guarda-costas femininas.   A secretária de Estado também visitaria escritórios da embaixada dos EUA na Líbia. O plano para estabelecer um embaixador americano no país está parado no Congresso, por causa do temor de que o país não cumpra sua promessa de compensar as vítimas dos atentados. A visita ocorre em um momento de crescente interesse das empresas americanas de fazerem negócios na Líbia, onde companhias européias aumentaram sua participação nos últimos anos. A Líbia tem a nona maior reserva comprovada de petróleo do mundo, perto de 39 bilhões de barris, e vastas áreas não exploradas.   Em Lisboa, antes de embarcar para Trípoli, a chanceler americana declarou-se ansiosa pela viagem à Líbia, onde se reunirá com o líder líbio, Muamar Kadafi, para colocar fim a um período de quase três décadas de desentendimentos entre os dois países. "Este é um momento histórico, que ocorre depois de muita dificuldade, depois de muita gente ter passado por sofrimentos que nunca serão esquecidos nem aplacados, americanos em particular", declarou Rice em entrevista coletiva concedida na capital portuguesa.   "Isto mostra que os EUA não possuem inimigos permanentes", disse Rice aos repórteres que a acompanharam na viagem. "Demonstra que quando países estão preparados para fazer mudanças estratégicas, os EUA estão preparados para responder. Francamente, jamais imaginei que visitaria a Líbia", afirmou. "Também é preciso notar que esse momento ocorre depois da decisão histórica da Líbia de abandonar suas armas de destruição em massa e de renunciar ao terrorismo. A Líbia é um lugar que está mudando e quero conversar sobre como essas mudanças estão acontecendo", prosseguiu.   As relações bilaterais atravessaram sua pior crise na década de 1980, quando houve atos extremistas com envolvimento do governo líbio e retaliações militares americanas. O ex-presidente americano Ronald Reagan chegou a chamar Kadafi de "cachorro louco". A situação começou a mudar de rumo em 2003, quando Kadafi prometeu abandonar seus programas de armas químicas, biológicas e nucleares e compensar familiares de vítimas de ataques atribuídos à Líbia, levando Washington a rever suas restrições a Trípoli. Rice é a primeira secretária de Estado dos EUA a visitar a Líbia desde John Foster Dulles, em 1953. É a principal funcionária a ir ao país desde a visita do então vice-presidente Richard Nixon, em 1957.   No início do mês, Líbia e Estados Unidos assinaram um acordo em que concordaram em pagar indenizações para vítimas e familiares de vítimas de ataques realizados pelos governos líbios e americanos. Segundo a BBC, o acordo inclui indenizações relacionadas ao ataque ao vôo da Pan Am que caiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, assumido pela Líbia em 2003, e o bombardeio americano às cidades líbias de Trípoli e Benghazi, dois anos antes.   Matéria atualizada às 15h40.

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