Conexão Hamburgo liga Atta ao "caixa" de Bin Laden

As provas diretas da relação entre os terroristas dos atentados contra os Estados Unidos e o milionário saudita Osama bin Laden, pedidas por muitos países árabes e alguns da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), estão em poder dos investigadores.Fazem parte das provas a pista alemã das investigações, permitindo agora ao FBI poder demonstrar que pelo menos três dos 19 suicidas estavam ligados a um empresário sírio vinculado, por sua vez, ao caixa de Bin Laden.A revelação, que rompe a estrita reserva que gira em torno das investigações, chega num momento no qual os Estados Unidos tentam trabalhar contra eventuais atentados com armas químicas ou biológicas."Nosso principal objetivo é prevenir possíveis novos ataques", disse o diretor do FBI, Robert Mueller, que decidiu distribuir as fotografias dos 19 seqüestradores para esclarecer as dúvidas restantes sobre a identidade deles.O FBI está atrás da pista de uma caminhonete alugada em Virgina por dois supostos sauditas com documentos aparentemente inválidos. Os dois devolveram o veículo e desapareceram. Esta circunstância, unida a vários outros indicios sobre a possibilidade de um ataque com um caminhão-bomba ou armas químicas, fez aumentar os controles sobre os veículos pesados, em especial nos arredores de Nova York.Mas isto não contribuiu para atenuar a tensão existente nos Estados Unidos devido a informações da CIA sobre os planos de Bin Laden, em anos passados, de adquirir material para fabricar armas químicas, biológicas e nucleares.Fontes da CIA explicaram que não existe nenhuma prova concreta de que Bin Laden tentou montar um arsenal de destruição em massa.No entanto, pelo menos 10 pessoas foram detidas em três Estados norte-americanos por transportar materiais perigosos, mas nenhuma delas está vinculada com a investigação sobre terrorismo.Na frente das investigações dos atentados, os avanços mais importantes vêm da denominada Conexão Hamburgo.Fontes dos governos norte-americano e alemão disseram ao jornal The Washington Post que está sendo reconstruído o cenário escondido por trás da permanência em Hamburgo do piloto suicida Mohamed Atta e de outros dois terroristas mortos em 11 de setembro.A ligação veio à tona a partir das investigações sobre o Projeto Análise, uma operação de inteligência da qual participam o FBI, a polícia alemã e as de Canadá, Itália, França e Grã-Bretanha.Os seis países trocam informações desde o fim de 1999 sobre uma rede de terroristas, em sua maioria argelinos, que planejaram atentados durante a comemoração da passagem para o ano 2000.Após a prisão de Ahmed Ressam, um argelino que preparava um atentado contra Los Angeles (hoje ele colabora com as autoridades), como parte de um plano de células terroristas ligadas a Bin Laden, as investigações referentes ao Projeto Análise levaram os agentes a ligar a rede dos "terroristas do milênio" a um sudanês, Mamduh Mahmud Salim, detido nos Estados Unidos pelos atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998.Segundo o FBI, Salim era o "chefe das finanças" de Bin Laden. Na Alemanha, foi detectada uma conta bancária em seu nome movimentada por um empresário sírio, Mamoun Darkazanli. Também na Alemanha foram encontradas agora provas sobre os contatos diretos entre Atta e outros dois terroristas com Darkazanli, vinculando diretamente os suicidas com Bin Laden.

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