Conferência aprova fundo de US$ 140 milhões para Afeganistão

Potências ocidentais devem liberar dinheiro para encorajar militantes islâmicos a renunciarem à luta armada

28 de janeiro de 2010 | 14h10

Países ocidentais concordaram em criar um fundo de US$ 140 milhões para encorajar militantes afegãos a renunciarem à violência e se integrarem na sociedade do país, disse o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, David Miliband, nesta quinta-feira, 28, durante uma conferência sobre o Afeganistão realizada em Londres. 

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse no começo da reunião que o mundo vive um momento decisivo para impulsionar o governo afegão. "Esta conferência marca o início de um processo de transição", afirmou.  "Aos insurgentes que se recusarem a aceitar as condições para a reintegração, não temos escolha se não persegui-los militarmente", alertou Brown referindo-se à luta militar contra o Taleban, que já dura mais de oito anos.

Mais cedo, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, lançou um plano de paz e reconciliação para estabilizar a situação de segurança na nação asiática e informou que membros do Taleban serão convidados a integrar a mesa de negociações.

Karzai disse que "estenderá a mão" a todos os afegãos não ligados a organizações insurgentes ou terroristas. "Temos que chegar a todos os nossos compatriotas, especialmente aos nossos irmão desencantados que não são parte da Al-Qaeda ou de qualquer outra rede terrorista e que respeitam a Constituição", disse o presidente.

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Repercussão

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um enfoque civil para o processo de paz no país e que não prevaleça a parte militar na transição da segurança para as tropas afegãs. "É importante proteger a população civil e, ainda que a segurança seja o elemento central da estratégia, não é o único objetivo a ser alcançado", disse o chefe da entidade.

Para Ban, a segurança, um bom governo, a luta contra a corrupção, a integração regional e a cooperação com os países vizinhos são os fatores fundamentais para a estabilidade afegão. O secretário-geral pediu ainda um "compromisso de longo" prazo da comunidade internacional com o Afeganistão, mas lembrou que o governo de Cabul também tem suas responsabilidades e que deve "transportar seus compromissos para a vida real dos cidadãos".

EUA

Os EUA apoiam o plano de transição de poder da Otan, mas dizem que ele não significa a retirada das tropas internacionais do Afeganistão, segundo a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

"Apoiamos o plano de transição da Otan, mas deve ficar claro para os afegãos, nossos companheiros e cidadãos, e assim como para os extremistas, que isso não é uma estratégia de saída do país", disse a representante americana presente na conferência de Londres.

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