Conferência busca fim da violência no Iraque

Cerca de 200 personalidades iraquianas, entre elas representantes de milícias, participam neste sábado da primeira Conferência de Reconciliação Nacional, que tem como objetivo obter um consenso político e resolver a instabilidade no Iraque por meio do diálogo.O porta-voz oficial da conferência, Nasir al-Ani, disse à EFE que entre os temas mais importantes a serem debatidos estão a dissolução do Exército e das milícias, mudanças na Constituição e a questão da autonomia federal.Segundo Ani, vários líderes que são contrários ao processo político iraquiano chegaram na sexta-feira a Bagdá para assistir aos trabalhos do congresso, que terá duração de dois dias.Ani convidou todos os opositores do governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki a participarem desta conferência "para conseguir uma verdadeira reconciliação".O porta-voz acrescentou que o evento é uma excelente ocasião para que todos os participantes expressem suas opiniões, mesmo que estas sejam totalmente contrárias ao programa do governo.Deverão marcar presença no evento políticos xiitas, curdos e sunitas, além de integrantes do dissolvido partido governante Baath, em sua maioria exilados políticos que abandonaram o Iraque após a derrocada de Saddam Hussein, em 9 de abril de 2003.Abbas al-Bayati, membro do bloco xiita, que é maioria no Parlamento, afirmou que o congresso está aberto a todas as pessoas cujas opiniões políticas são opostas às posições oficiais.Saleh al-Mutlaq, presidente da Frente Iraquiana pelo Diálogo Nacional, que conta com 11 cadeiras no Parlamento, anunciou que não participará da conferência.Segundo Mutlaq, o governo iraquiano não cumpriu as condições solicitadas por ele, como a dissolução das milícias e a libertação dos presos. "Não podemos participar de um processo político que deve ser revisto para dar início a uma reconciliação nacional global no Iraque", afirmou.Já o bloco Al-Sadr, liderado pelo clérigo xiita Muqtada Al-Sadr, impôs condições para participar da conferência. O deputado do Al Sadr no Parlamento, Nasar al-Rubaei, disse à emissora de TV Al Sharquiya que é favorável a qualquer processo de reconciliação nacional desde que "o invasor não esteja no meio"."Queremos dinamizar este congresso e também queremos que todas as famílias xiitas que foram desalojadas retornem às suas casas", afirmou Rubaei.A Comissão de Ulemás Muçulmanos, a instituição sunita mais importante do país, disse na semana passada que não ia participar do congresso de reconciliação. "Não queremos participar de nenhum processo político com o manda-chuva da ocupação", segundo seus Membos.O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, informou há sete meses que trabalharia para organizar quatro conferências de reconciliação nacional.

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