Conferência das Convenções de Genebra irá discutir Oriente Médio

A Suíça anunciou hoje que estava convocando uma conferência das Convenções de Genebra para o próximo mês a fim de discutir a situação no Oriente Médio. A sessão sobre o sensível tópico irá provavelmente questionar Israel por sua ocupação do território palestino, disseram diplomatas. O Ministério do Exterior suíço afirmou que havia dado início a consultas com as 189 nações que assinaram as convenções sobre a conduta de guerra e pretende realizar a conferência em Genebra em 5 de dezembro. A Suíça, como depositária das convenções, tem o poder de convocar conferências se discussões com signatários mostrem que a maioria das nações quer uma reunião. Estados árabes e muitos outros signatários das convenções têm pedido uma reunião desde o início da segunda intifada (ou levante) palestina, em setembro de 2000, alegando que Israel está desrespeitando a convenção. Em 13 meses de confrontos, 741 pessoas já foram mortas no lado palestino e 194 no lado israelense. Yaakov Levy, embaixador de Israel nos escritórios da ONU em Genebra, disse que o Estado judeu se "opõe de todas as formas" à conferência, cuja convocação seria baseada em "acusações infundadas". "É uma tentativa de conseguir ganhos políticos através do uso e abuso de instrumentos humanitários", afirmou Levy. A Suíça tem condenado como desrespeito da convenção a política de Israel de construir assentamentos judeus em territórios ocupados depois da Guerra de Seis Dias em 1967. Cerca de 200.000 israelenses vivem em 144 assentamentos em Cisjordânia e Faixa de Gaza. Autoridades suíças também têm criticado execuções sumárias por parte de Israel de supostos militantes palestinos suspeitos de atentados contra israelenses, e o bloqueio de áreas habitadas por palestinos. Israel defende a política de assentamento, alegando que a Cisjordânia e Gaza são territórios disputados, não territórios ocupados, e neste caso as convenções não se aplicariam. A neutra Suíça é a depositária da convenção, que é a base da lei humanitária internacional. Os signatários - entre eles Israel - prometem respeitar os direitos civis e garantir que os demais façam o mesmo.

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