AFP / JUSTIN TALLIS
AFP / JUSTIN TALLIS

Conferência de Londres arrecada US$ 10 bilhões para vítimas de conflito sírio

Amanhã, o Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, se reunirá para analisar o estado das conversas de paz sobre a Síria, suspensas por falta de avanços

O Estado de S. Paulo

04 de fevereiro de 2016 | 16h40

LONDRES -  Os países doadores reunidos na conferência internacional de ajuda aos refugiados sírios nesta quinta-feira, 4, em Londres, ofereceram mais de US$ 10 bilhões, US$ 1 bilhão a mais que o objetivo inicial, anunciou o primeiro-ministro britânico, David Cameron. 

"O êxito de hoje não é uma solução para a crise, ainda temos de ver uma transição política para a Síria", afirmou Cameron. "Mas, com os compromisso de hoje, nossa mensagem ao povo sírio e à região é clara: estaremos do seu lado e os apoiaremos no que ainda falta".

O Brasil participou da reunião e foi representando pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Segundo uma nota divulgada pelo Itamaraty, o Brasil deveria "reiterar sua disposição de doar alimentos à Síria e a países vizinhos, além de anunciar contribuição financeira ao Acnur (agência da ONU para refugiados) para promover ações de proteção e assistência a refugiados". 

Negociação. Amanhã, o Conselho de Segurança (CS) da ONU, em Nova York, se reunirá para analisar o estado das conversas de paz sobre a Síria, suspensas por falta de avanços, segundo anteciparam hoje fontes diplomáticas.

No encontro, marcado hoje mesmo, que será realizado a portas fechadas, espera-se que o mediador das Nações Unidas para esse processo, Staffan de Mistura, relate aos 15 membros do Conselho sobre sua decisão de suspender as conversas.

De Mistura anunciou na quarta-feira uma pausa do diálogo até o dia 25 alegando falta de progressos e da impossibilidade de obter do governo de Damasco um gesto humanitário que dê esperanças de se chegar a um resultado concreto.

Sem mencioná-lo diretamente, a ONU deu a entender que a atitude do regime sírio teve muito a ver com a decisão.

"É profundamente inquietante que os primeiros passos das conversas tenham sido solapados pela contínua falta de acesso humanitário suficiente e pelo repentino aumento do bombardeio aéreo e atividades militares na Síria", disse nesta quinta-feira em Londres o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

A suspensão das negociações coincidiu com o segundo dia de uma grande ofensiva militar do Exército sírio e grupos afins sobre Alepo, apoiados pelo ar com bombardeios russos, que conseguiu romper o assédio da Frente al Nusra em torno de duas localidades xiitas.

A reunião do CS de amanhã foi convocada de urgência em resposta à paralisação, uma vez que o principal órgão de decisão da ONU só tinha previsto abordar esse processo diplomático no próximo dia 24, segundo o calendário divulgado pela presidência rotativa, a cargo da Venezuela. De Mistura, como Ban, participam da conferência de doadores da Síria organizada por ONU em Londres. / AFP e EFE


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