Conferência discute melhora da ONU em combate a genocídio

Mais de uma década depois de sercriticada por sua incapacidade em impedir o genocídio deRuanda, a ONU está mais qualificada para evitar uma novaatrocidade, disseram acadêmicos e funcionários na quarta-feira. A idéia de que assuntos internos estão fora do escopo doenvolvimento internacional foi "um inibidor crucial parareações efetivas durante mais de uma geração", disse GarethEvans, presidente do International Crisis Group, em umaconferência da ONU. Mas, diante de situações como a de Darfur, no Sudão -- ondecerca de 200 mil pessoas já foram mortas e 2,5 milhões tiveramde fugir desde 2003 -- o mundo vem se mostrando mais disposto aaceitar a necessidade de intervir em nome de populaçõesvulneráveis, segundo os participantes da conferência, mesmo quea intervenção às vezes seja tímida e atrasada. Desde que assumiu a liderança da ONU, no começo do ano, osecretário-geral Ban Ki-Moon ampliou o mandato do seurepresentante especial para a Prevenção do Genocídio e dasAtrocidades em Massa. O Conselho de Segurança está avaliando a criação de umcargo adicional proposto por Ban -- o de assessor especial paraa responsabilidade de proteção. Em janeiro, a ONU vai criar um Centro Global para aResponsabilidade de Proteger, na Universidade da Cidade de NovaYork. "Agora há realmente uma sensação de que a comunidadeinternacional como um todo tem a responsabilidade de ajudar osEstados a atenderem às suas responsabilidades, e que há umamudança historicamente muito grande", disse o acadêmiconorte-americano Edward Luck, nomeado assessor especial de Banpara a responsabilidade de proteção, ainda à espera deconfirmação do Conselho de Segurança. Mas Jean-Marie Guehenno, subsecretário-geral para operaçõesde paz, sugeriu cautela. "Fomos assombrados nos últimos 15 anospelo que aconteceu na Iugoslávia e em Ruanda. E nenhum de nóspode evitar a questão de se vai acontecer de novo."

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