Conferência do Clima da ONU pode ser suspensa por falta de quórum

A 17ª Conferência do Clima da ONU, a COP-17, em Durban, ganhou ontem o título de reunião mais longa reunião da história para definir como os países vão combater as mudanças climáticas e, por volta das 17h de ontem, havia o risco de o encontro ser suspenso.

AFRA BALAZINA , ENVIADA ESPECIAL , DURBAN, ÁFRICA DO SUL, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h04

O motivo era a demora para os países chegarem a um acordo e dar início às plenárias (que estavam marcadas para as 10h). Muitos países de Estados-ilhas e de nações menos desenvolvidas foram embora -não conseguiram alterar seu voo - e havia uma grande preocupação com o quórum para as plenárias.

Se a reunião for suspensa, outra pode ser feita no primeiro semestre do ano que vem em Bonn, onde está baseada a Convenção do Clima da ONU.

O encontro deveria ter terminado na sexta, mas no fim da tarde de ontem ministros ainda negociavam a portas fechadas para tentar fechar um pacote com a continuação do Protocolo de Kyoto e definir um roteiro para o futuro acordo global, com metas obrigatórias de cortes de emissão de gases-estufa para todos os países, que seria fechado em 2015 e entraria em vigor em 2021.

Para o Brasil, a prioridade em Durban era garantir um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, já que sua primeira fase termina em dezembro de 2012.

Depois das reuniões a portas fechadas, deveriam começar as plenárias para aprovar os documentos analisados. E, se por um lado a demora nas negociações preocupava bastante, por outro, a lentidão era vista como um sinal de que os países que participam da COP não querem deixar a África do Sul de mãos vazias. Por isso, continuavam tentando chegar a um consenso.

Vários delegados viraram a noite negociando, e outros dormiram poucas horas. O comentário que circulava era que "quem piscar perde" a batalha.

Opções. Negociadores avaliavam quatro documentos no total. Um deles, sobre o Protocolo de Kyoto, era considerado fraco, com muitos buracos, por alguns delegados de países em desenvolvimento. Já o texto com as ações de longo prazo para lutar contra o aquecimento global foi melhor aceito.

Países como o Brasil também trabalhavam para que os textos não deixassem períodos sem nenhum tipo de compromisso. A ideia é que o segundo período de Kyoto vá de 2013 a 2020. E que o novo acordo seja concluído em 2015 e entre em vigor em 2021, com obrigações para todas as nações. Dessa forma, os países teriam tempo para ratificar o instrumento em seus Congressos.

Países em desenvolvimento, como o Brasil, que não têm metas obrigatórias em Kyoto, deverão cumprir os compromissos voluntários que se propuseram no Acordo de Cancún (COP-16).

A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) afirmou na quinta-feira que o País está preparado para aceitar um acordo com força de lei e assumir metas obrigatórias após 2020.

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