Conferência Islâmica não chega a acordo sobre quem é terrorista

As nações muçulmanas não conseguiram chegar a um acordo sobre a definição de terrorismo ao concluir uma reunião cujo objetivo era dissipar a percepção de violência que se tem sobre o Islã após os atentados de 11 de setembro. Mas durante a Conferência da Organização Islâmica, os ministros de Relações Exteriores e funcionários dos 57 países membros conseguiram um consenso sobre o que não é terrorismo: qualquer coisa que se inclua na luta palestina.O rascunho da declaração, discutido durante os dois dias de reuniões, será aprovado sem nenhuma mudança na quarta-feira para ser utilizado em uma conferência das Nações Unidas. "Esta é uma oportunidade desperdiçada", disse o líder do Movimento de Islâmicos Jovens da Malásia, uma organização não-governamental que presenciou o encontro."O problema é que muitos países têm seus próprios interesses", acrescentou. Enquanto o primeiro-ministro malaio Mahatir Mohamad propunha que os ataques suicidas palestinos fossem considerados terroristas, os palestinos e outros delegados se opuseram terminantemente a tal proposta. O delegado da Jordânia disse que era muito difícil que houvesse consenso entre os 57 países para definir a palavra "terrorismo". A declaração que conseguiram definir rejeita "qualquer tentativa de vincular terrorismo com a luta palestina" para estabelecer um Estado independente tendo o leste de Jerusalém como capital. Por outro lado, o ministro de Relações Exteriores palestino comparou nesta terça-feira Israel com a Alemanha nazista, e pediu à comunidade internacional a deter a ofensiva israelense contra seu povo."Este é o holocausto dos palestinos", disse Farouk Kaddoumi, para uma agência noticiosa malaia. "Necessitamos do apoio da comunidade internacional para acabar com o massacre do povo palestino por parte dos nazistas israelenses", acrescentou. Israel prossegue em sua ofensiva contra terroristas nos territórios palestinos e mantém sitiado o líder palestino Yasser Arafat. Hoje pela manhã, Kaddoumi se reuniu com o primeiro-ministro malaio e o exortou a manter contato com os EUA e com líderes europeus para que pressionem Israel a abandonar os territórios palestinos."A situação na Palestina é muito crítica, e a vida do presdiente palestino, Yasser Arafat, corre perigo", disse Kaddoumi. Mahatir, aliado dos EUA na guerra contra o terrorismo, possivelmente visitará Washington em maio. O presidente americano, George W. Bush, exigiu que Arafat faça mais para pôr fim aos ataques terroristas contra israelenses.

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