Alex Brandon/AP
Alex Brandon/AP

Confira as figuras-chave da investigação penal contra Trump em Nova York

Dossiê judicial pode levar ao indiciamento do ex-presidente americano, situação inédita nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2021 | 05h00

NOVA YORK - Um promotor democrata em fim do mandato, outra promotora conhecida pela tenacidade, um fiel assessor de Donald Trump e um ex-funcionário próximo que decidiu traí-lo: estes são alguns dos protagonistas do dossiê judicial que poderá levar ao indiciamento inédito de um ex-presidente americano.

Cyrus Vance, um promotor em busca da posteridade

O promotor de Manhattan Cyrus Vance, de 66 anos, democrata que conquistou o cargo em 2010, foi o primeiro a abrir uma investigação penal contra o ex-presidente republicano. 

Filho de um ex-secretário de Estado americano, Vance foi acusado às vezes de se negar a processar pessoas poderosas, sobretudo após ter demorado a indiciar o ex-produtor de cinema Harvey Weinstein. 

No caso Trump, mostrou-se determinado, primeiro na longa batalha para obter seus arquivos contábeis e financeiros e depois mobilizando grandes recursos humanos e financeiros nesta investigação politicamente sensível.

Em jogo está sua reputação para a posteridade. Vance já anunciou que não tentará um quarto mandato quando o atual expirar em dezembro. Observadores avaliam que ele fará tudo o possível para indicar Trump antes de sua saída para facilitar o trabalho do seu sucessor.

Letitia James, a promotora combativa

A promotora-geral do Estado de Nova York Letitia James, também democrata, foi a primeira mulher negra a ocupar o cargo, em 2018. 

Desde então, a procuradora de 62 anos tem forjado uma reputação de combativa e independente, intensificando as investigações tanto de grandes empresas - especialmente as gigantes tecnológicas - quanto da administração Trump, contra a qual lançou dezenas de ações civis.

Embora Trump a acuse de parcialidade contra ele, ela também assumiu expedientes comprometedores contra o governador democrata de Nova York, Andrew Cuomo, envolvido em uma série de escândalos.

Depois de entregar um relatório contundente sobre as acusações de ocultamento do número de mortos por covid-19 em asilos, James lidera a investigação em curso sobre as acusações de assédio sexual contra o governador. Dependendo da gravidade dos resultados desta investigação, Cuomo pode ser obrigado a renunciar.

Allen Weisselberg, leal entre os leais a Trump

Aos 73 anos, o discreto contador é o colaborador mais fiel da holding familiar de Trump. Começou como contador na empresa de  Frederick Trump, pai de Donald, antes de se unir à Organização Trump como controlador financeiro quando o magnata se estabeleceu em Manhattan na década de 1980. 

Weisselberg esteve em todas as aventuras empresariais de Donald Trump, inclusive quando ele ficou em apuros com seus cassinos de Atlantic City.

Segundo Barbara Res, ex-vice-presidente da Organização Trump citada recentemente pelo Daily News, Weisselberg "achava que Trump era um deus". Mas agora todos se perguntam se ele se voltará contra seu chefe.

Investigadores o pressionam há meses, sem hesitar em mirar também em sua família, especialmente seu filho, Barry Weisselberg, para convencer o homem que, acredita-se, conhece todos os segredos da Organização Trump.

Michael Cohen, com sede de vingança

O ex-advogado pessoal de Trump, de 54 anos, foi o primeiro do círculo próximo do ex-presidente a ser pego pela justiça, que o condenou no fim de 2018 a três anos de prisão por evasão de impostos e violação das leis de financiamento de campanhas.

Mas também foi o primeiro de seus seguidores - mesmo tendo trabalhado durante dez anos como braço-direito do magnata, por quem dizia-se pronto a "levar um tiro" - a lhe dar as costas e colaborar com os investigadores.

Foi interrogado várias vezes nas últimas semanas pela equipe de Cyrus Vance.

Em fevereiro de 2019, ante uma comissão parlamentar, acusou amplamente Donald Trump. Entre outras coisas, destacou que o bilionário super ou subestima regularmente seus ativos, tanto com os bancos quanto com as empresas de seguros, para escalar nos rankings das pessoas mais ricas estabelecidas por organizações como a Forbes.

Muito ativo no Twitter ou em seu podcast "Mea Culpa", com frequência comemora os problemas legais do ex-chefe e sua possível futura acusação. /AFP

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