Martin Meissner/Reuters
Martin Meissner/Reuters

Como estão os julgamentos de crimes de guerra envolvendo os conflitos na antiga Iugoslávia

Saiba o que aconteceu aos principais protagonistas dos conflitos na antiga Iugoslávia na década de 90

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2021 | 05h00

PARIS - Relembre o destino dos principais protagonistas dos conflitos na antiga Iugoslávia na década de 90, após o veredicto que confirmou a prisão perpétua do ex-chefe militar sérvio da Bósnia, Ratko Mladic, por genocídio. 

Julgamentos em andamento

-Ratko Mladic, com cerca de 80 anos, antigo chefe militar dos sérvios da Bósnia e conhecido como o "açougueiro dos Bálcãs". 

Preso em 2011, após 16 anos foragido, foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia em 2017, em primeira instância, à prisão perpétua pelos crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), que deixou 100 mil mortos e 2,2 milhões de cidadãos deslocados.

Nesta terça-feira, o Mecanismo de Tribunais Penais Internacionais (MPTI), que assumiu o controle do Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia após seu fechamento em 2017, rejeitou o recurso de Mladic e manteve sua condenação por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. 

-Hashim Thaçi, de 53 anos, ex-primeiro-ministro e ex-presidente de Kosovo (2016-2020). 

Ele foi um líder político do Exército de Libertação de Kosovo (UCK), que lutou contra os sérvios durante o conflito de 1998-1999. Ele conduziu seu país à independência em 2008. 

Em junho de 2020, o processo do Tribunal Especial para Kosovo em Haia acusou-o de crimes contra a humanidade e crimes de guerra, incluindo assassinato, desaparecimento forçado de pessoas, perseguição e tortura. 

Ele renunciou em novembro e foi transferido para o centro de detenção do tribunal especial de Haia, onde se declarou inocente em seu primeiro comparecimento. 

Condenados

-Radovan Karadzic, de 75 anos, ex-dirigente dos sérvios na Bósnia preso em 2008 após 13 anos de clandestinidade. 

Após apresentar recurso, foi condenado à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade em 2019. 

Ele é o mais alto oficial condenado pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia e considerado responsável por perseguição, morte, estupro, tratamento desumano ou deslocamentos forçados, especialmente durante o cerco de quatro anos a Sarajevo, que causou mais de 10 mil mortes.

-Biljana Plavsic, de 90 anos, vice-presidente e posteriormente presidente da República Sérvia da Bósnia.

Ela é a única mulher julgada pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia, condenada a 11 anos de prisão por crimes de guerra em 2003, e libertada em outubro de 2009. 

-Vojislav Seselj, de 66 anos, líder ultranacionalista sérvio.

Em 2016, para surpresa geral, foi absolvido pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia de todas as acusações de limpeza étnica contra croatas, muçulmanos e outros grupos não sérvios. 

O processo de apelação terminou em 2018, após uma sentença de 10 anos por crimes contra a humanidade. Após passar 12 anos em prisão preventiva, foi libertado e mais tarde até se tornou deputado no Parlamento sérvio.

Absolvido

-Ante Gotovina, 65 anos, ex-general croata.

Condenado em primeira instância a 24 anos de prisão por crimes contra a humanidade e crimes de guerra, foi absolvido em 2012.

Mortos 

-Slobodan Milosevic, presidente da Sérvia entre 1990 e 2000.

Ele morreu em 2006, aos 64 anos, no centro de detenção de Haia, onde foi julgado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. 

-Franjo Tudjman, presidente da Croácia de 1990 até sua morte em 1999. 

Este nacionalista levou seu país à independência em 1991, o que gerou um conflito iniciado pelos sérvios da Croácia que causou cerca de 20 mil mortes, em sua maioria de croatas. Se ele não tivesse morrido, teria sido condenado por crimes de guerra. 

-Zeljko Raznatovic, também conhecido por Arkan, chefe do grupo paramilitar sérvio "Tigres". 

Em 1997, ele foi condenado por crimes contra a humanidade, e crimes de guerra na Bósnia em 1995, embora a acusação só tenha se tornado pública depois de seu assassinato nunca resolvido, em janeiro de 2000, em um hotel de Belgrado.  

-Slobodan Praljak, ex-chefe militar bósnio-croata.

Em novembro de 2017, ele cometeu suicídio ao ingerir cianeto em plena audiência, depois que juízes confirmaram sua sentença a 20 anos de prisão por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos contra muçulmanos bósnios./AFP 

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