Raul Arboleda/AFP
Raul Arboleda/AFP

Confira os 10 motivos para o início das manifestações na Colômbia

Greve geral convocada por centrais sindicais já levou a dois dias de protestos; três pessoas morreram e toque de recolher foi decretado em Bogotá

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2019 | 09h00

BOGOTÁ - A greve nacional decretada na quinta-feira, 22, na Colômbia, que levou a protestos ao redor do país também na sexta, foi convocada pela Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Confederação de Trabalhadores da Colômbia (CTC) para manifestar o mal estar e preocupações referentes ao governo do presidente Iván Duque

Três pessoas morreram na quinta-feira, e um toque de recolher foi iniciado na noite de sexta em Bogotá, além da aplicação da Lei Seca, proibindo o consumo de álcool durante manifestações, o que já virou protocolo no país. Mais de 250 mil pessoas estiveram presentes nos atos. 

Confira os 10 motivos de insatisfação apresentados pelos manifestantes:

Reforma Trabalhista

Os organizadores dos atos asseguram que uma reforma trabalhista supostamente preparada pelo governo destrói a estabilidade no emprego porque alega que os jovens que ingressam no mercado de trabalho receberão 75% do salário mínimo. Eles também afirmam que isso abre caminho para a contratação de trabalhadores por horas, tornando quase impossível conseguir a aposentadoria.

Reforma nas pensões

As centrais dos trabalhadores argumentam que o governo procura eliminar o fundo de pensão estatal Colpensiones e deixar as contribuições de empresas e trabalhadores para a aposentadoria nas mãos de fundos privados, um modelo que eles dizem ter provado seu "fracasso" no Chile. Os sindicatos dizem que essa reforma é promovida por organizações como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Na Colômbia, as mulheres se aposentam aos 57 anos e os homens aos 62, desde que tenham contribuído pelo menos 1.300 semanas para a seguridade social.

Reforma tributária

Eles também se opõem aos planos do governo de fazer uma reforma tributária para reduzir impostos sob multinacionais e empresas, elevando-os à classe média e aos trabalhadores.

Privatizações

O governo pretende, de acordo com os sindicatos, privatizar a Ecopetrol, a empresa de eletricidade ISA, Cenit (subsidiária da Ecopetrol para o transporte de hidrocarbonetos) e "todas as empresas nas quais o Estado detém 50% das ações". O Estado tem participação direta em 105 empresas através de seus ministérios e departamentos administrativos. Em 39 deles, sua participação é majoritária, e em 66, minoritária.

Corrupção

Os protestos também são em rejeição à corrupção que deixa perdas de 50 bilhões de pesos por ano (cerca de US$ 14,560 milhões) e aponta escândalos multimilionários, como a Odebrecht e a Refinaria de Cartagena (Reficar). Esta última, de propriedade da Ecopetrol, foi inaugurada em outubro de 2015 pelo então presidente Juan Manuel Santos e tinha um custo final de US$ 8 milhões, mais do que o dobro dos US$ 3.7 milhões inicialmente orçados.

Tarifaço nacional

Na reforma tributária chamada "Lei de Financiamento", o governo incluiu um aumento de 35% nas tarifas de eletricidade dos extratos 4, 5 e 6 para "salvar" a Electricaribe, uma empresa da Naturgy Espanhola (ex-Gás Natural Fenosa) que passou por intervenção em 2016. A Electricaribe atende sete departamentos da costa atlântica colombiana e tem um déficit de 1,3 trilhão de pesos (cerca de US$ 407 milhões), revelou um relatório do escritório da Controladoria (tribunal de contas) em março passado.

Salário mínimo

O salário mínimo vigente na Colômbia é de 828,11 pesos (hoje em dia, cerca de US$ 240), e quem cobra também recebe um subsídio de transporte de 99 pesos (cerca de US$ 28). Segundo os sindicatos, o pagamento é insuficiente porque não cobre a "cesta da família", e é por isso que as famílias se veêm forçadas a "procurar" outros meios de trabalho para completar o dinheiro dos gastos. 

Quebra de acordos

Outro argumento para o protesto nacional é a alegada violação pelo governo de acordos assinados pela atual gestão e as anteriores com vários setores sociais e sindicais, especialmente com indígenas, camponeses e professores.

Defesa dos protestos sociais

Os organizadores rejeitam que o governo queira "regular" o "direito ao protesto social" e criminalizar aqueles que se manifestam nas ruas.

Educação

Estudantes universitários, que no ano passado realizaram uma greve de dois meses, pediram ao governo que cumprisse os acordos assinados e as medidas contra a corrupção nas universidades públicas. O acordo mencionado incluiu um investimento de 4,5 bilhões de pesos (cerca de US$ 1,3 milhões hoje) em universidades públicas por quatro anos, o maior valor alocado para o ensino superior na história do país, diz Duque. / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.