Confira os principais discursos do segundo dia da Assembleia-Geral da ONU

Jeanine Áñez, da Bolívia, Michael Aoun, do Líbano, e Nicolás Maduro, da Venezuela, estão entre os destaques desta quarta-feira, 23

Redação - O Estado de S.Paulo

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Após um primeiro dia marcado por discursos que simbolizaram profundas divisões globais, a Assembleia-Geral da ONU conta nesta quarta-feira, 23, com falas de líderes latino-americanos, como Jeanine Áñez, da Bolívia, Mario Abdo Benítez, do Paraguai, e Nicolás Maduro, da Venezuela. Os presidentes do Quênia, do Líbano e do Iraque, Uhuru Kenyatta, Michael Aoun e Barham Saleh, o rei da Arábia Saldita, Salman, e os membros da banda de k-pop BTS também discursaram no evento.

Confira os destaques desta quarta-feira:

Nicolás Maduro discursa no segundo dia da Assembleia-Geral da ONU Foto: Rick Bajornas/ONU via AFP

Nicolás Maduro

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que as sanções de Washington "colocam em risco a estabilidade" do país petrolífero e da região, exigindo da ONU o cessamento das medidas contra seu governo e seus aliados internacionais.

Em Washington foi imposto "o excesso, que é o mais terrível dos pecados, que parece ter se apoderado completamente das elites estadunidenses", disse o presidente venezuelano.

“Em meio a uma pandemia global, ninguém entende, nem se explica, que ressurja a perseguição criminosa do bloqueio contra países nobres como Cuba, Nicarágua, Venezuela, Síria e outros países irmãos”, disse Maduro, que não comparece fisicamente às reuniões da ONU desde 2018.

O líder da oposição, Juan Guaidó, não irá discursar na Assembleia, mas rebateu as falas de Maduro.

Em vídeo publicado em suas mídias sociais, Guaidó, reconhecido como presidente por mais de 50 países, ficou diante de quatro bandeiras venezuelanas e falou como se estivesse se dirigindo a uma plateia. O líder da oposição pediu às nações que denunciassem os abusos de direitos humanos cometidos pelo governo de Maduro.

Jeanine Áñez

A presidente interina da Bolívia disse à Assembleia-Geral que a próxima eleição de seu país será marcada por uma escolha entre liberdade e opressão. A Bolívia escolherá o próximo presidente em 18 de outubro.

Áñez mal tocou no tema da pandemia, preferindo falar sobre a turbulência interna de seu país. Áñez disse ainda que os projetos populistas representam uma “nova forma de autoritarismo” na América Latina.

 

Uhuru Kenyatta

O presidente do Quênia deu uma sacudida geracional nas Nações Unidas. Em um discurso pré-gravado, Kenyatta disse que a ONU foi criada para trazer esperança a um mundo em ruínas após a 2ª Guerra, “mas o que isso traz ao mundo hoje? ''

A declaração é apropriada vindo de uma nação africana. O continente tem a população mais jovem do mundo, com uma idade média de 19 anos. E essa população em expansão está cada vez mais impaciente com líderes mais velhos.

Os líderes africanos também querem sacudir o sistema da ONU que mantém as potências globais de 75 anos atrás no comando, enquanto representantes do continente, que tem 1,3 bilhão de habitantes, não têm um assento permanente em seu órgão mais poderoso, o Conselho de Segurança.

Michael Aoun

O presidente do Líbano pediu o apoio da comunidade internacional para reconstruir o principal porto do país após a explosão catastrófica que, em agosto, matou centenas, feriu milhares, destruiu bairros e dizimou instalações em Beirute.

Michel Aoun disse aos líderes mundiais que o Líbano está enfrentando múltiplas crises que representam uma ameaça sem precedentes à existência do pequeno país.

Mais urgentemente, ele disse que o país precisa do apoio da comunidade internacional para reconstruir sua economia e seu porto destruído. Ele sugeriu dividir as partes danificadas da cidade em áreas separadas para que os países que desejam ajudar possam se comprometer a reconstruí-las.

Barham Saleh

O presidente iraquiano, Barham Saleh, também pediu ajuda internacional, mas para lidar com as muitas crises que o Iraque enfrenta em meio à pandemia de covid-19.

Apesar dos recursos limitados resultantes de anos de guerras, bloqueios e violência, o Iraque implementou algumas medidas para conter a disseminação do coronavírus, disse Saleh em seu discurso. Mas a “jornada foi longa e árdua”.

A infraestrutura ruim em face do número crescente de casos é um desafio constante, acrescentou. “As nações desenvolvidas devem prestar assistência às nações em desenvolvimento para criar um ambiente para combater a pandemia e limitar seus efeitos nocivos”, disse.

Ele também renovou os apelos para que a comunidade internacional crie uma coalizão para combater a corrupção, dizendo que a má gestão é um “flagelo” em seu país que permite o financiamento do terrorismo. “De fato, não podemos erradicar o terrorismo se não secarmos seu financiamento”.

BTS

As superestrelas do grupo de k-pop BTS enviaram uma mensagem de incentivo aos jovens em todo o mundo. A banda sul-coreana falou sobre como seus membros lidaram com o sentimento de isolamento durante a pandemia. 

“Covid-19 estava além da minha imaginação”, disse RM, o líder da banda. “Todos os nossos planos foram cancelados e eu fiquei sozinho". Outros membros do BTS disseram que também se sentiram à deriva no início, mas acabaram usando o tempo para refletir e transformar seus sentimentos em música.

O grupo incentivou as pessoas a cuidarem de si mesmas e, nas palavras de RM, a “sonhar com um futuro em que nossos mundos possam sair de nossas pequenas salas novamente”.

 

Rei Salman

O rei Salman da Arábia Saudita usou seu discurso para enfatizar as raízes islâmicas de seu país e atacar o Irã.

Lendo um pedaço de papel e sentado em uma mesa sob um grande retrato de seu pai, o rei Abdulaziz, o monarca reiterou o papel sagrado do Islã na Arábia Saudita, que os muçulmanos acreditam ter sido revelado ao Profeta Mohamed há mais de 1.400 anos.

Ele se absteve de criticar os recentes acordos firmados pelos Emirados Árabes Unidos e Bahrein para estabelecer laços com Israel, mas ressaltou que o reino continua comprometido com a Iniciativa de Paz Árabe, que oferece a Israel laços plenos com Estados árabes em troca de concessões que levam a um estado palestino. Ele também disse que a Arábia Saudita dá as boas-vindas aos esforços dos EUA para resolver a crise. /Com agências

 

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