Confirmação de mais uma vítima do antraz aumenta ansiedade nos EUA

A confirmação de uma grave infecção com antraz de um funcionário do Correio, na capital americana, e a descoberta da bactéria de antraz num prédio anexo da Câmara de Representantes situado a três quadras do Capitólio ampliaram, neste fim de semana, a ameaça de bioterrorismo nos Estados Unidos e colocaram em dúvida os planos de retomada das atividades do Congresso na terça-feira. A Câmara suspendeu os trabalhos na quinta-feira, um dia depois de uma carta enviado pelo correio com a substância e uma mensagem ameaçadora ter contaminado cerca de 30 assistentes legislativos. A decisão, que não foi acompanhada pelo Senado, mostrou a falta de uma estratégia clara das autoridades para lidar com uma ameaça que já causa enorme ansiedade entre os americanos, muito embora o número de pessoas que adoeceram por causa de exposição ao antraz não chegue a dez e tenha havido apenas uma morte - o editor de fotografia da American Media, uma editora de jornais sensacionalistas na Flórida. O caso mais recente da doença envolve um funcionário não identificado na central de correio de Brentowood, na capital americana. O prefeito de Washington, Anthony Williams, disse que o funcionário está "gravemente doente". Ele foi infectado por inalação da bactéria. Agências oficiais e grandes empresas estão submetendo a correspondência que recebem a radiação para diminuir a possibilidade de propagação por correio da bacteria de antraz e de outras formas de doenças por bioterroristas. O Serviço do Correio e as empresas de distribuição de correio expresso disseram que até agora a ameaça do antraz não teve um impacto significativo no movimento de cartas e pacotes. Mas o risco de disrupção desses serviços, que ampliaria o impacto econômico recessivo dos eventos de 11 de setembro, aumentou com a confirmação de um novo caso - o terceiro - envolvendo um funcionário dos correios. Um assessor do líder da minoria, o deputado democrata Dick Gephardt, disse hoje que a Câmara deve reabrir na tereça-feira, mas provavelmente com um programa limitado pela interdição de algumas areas do imenso complexo de mais de uma dúzia de edifício do legislativo americano que se espalharam por várias quadras em torno do Capitólio. Uma parte das investigações concentra-se em Trenton, a capital de Nova Jersey, onde foram postadas três das cartas contendo atrás - a que chegou no Senado, em Washington, e duas enviadas para Nova York, no dia 18 de setembro , ao âncora da rede de terlevisão NBC, Tom Browa, e a um editor do jornal The New York Post. Na sexta-feira, a descoberta de 150 gramas de explosivo plástico C-4, que é de exclusivo uso militar nos EUA, e de cerca de 100 metros de fio dentro de uma mala abandonada no bagageiro do terminal rodoviário de Filadélfia sinalizou aos americanos a possibilidade da abertura de uma nova frente doméstica da guerra com o terrorismo: depois dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono e dos episódios de bioterrorismo, os carros-bombas. Em Washington e em outras grandes cidades, a polícia intensificou a inspeção de furgões e caminhões. "Ato de terror" Falando na China, onde participou neste fim de semana da reunião dos líderes da Ásia e Pacífico, o presidente George W. Bush classificou o envio das cartas contendo antraz de "ato de terror" e prometeu encontrar os responsáveis. Mas Bush disse que não existe nenhuma prova de conexão entre os episódios envolvendo antraz e os ataques de 11 de setembro, que mataram mais de 5.500 pessoas. Com a frente militar do conflito entrando na incerta e mais perigosa fase dos combates terrestres, que pode durar anos, como já admitem as autoridades americanas, a resposta do governo à ameaça bioterrorista promoveu mais confusão e insegurança do que a confiança dos americanos. Parte do problema são os sinais contraditórios como a decisão da Câmara de fechar as portas na semana passada e do Senado de continuar em atividade, depois de as duas casas terem acertado que suspenderiam os trabalhos para permitir uma completa inspeção. No início da crise, a Casa Branca pediu aos americanos para manterem a calma e retomarem a rotina normal ao mesmo tempo em que anunciava que o vice-presidente Dick Cheney havia sido removido para local seguro não sabido. Dez dias atrás, o FBI fez um "alerta geral" à população sobre a alta probabilidade de um novo ataque terrorista contra o território americano "nos próximos dias" apenas horas antes de Bush voltar a pedir calma e vigilância ao país, argumentando que ceder ao pânico era fazer o jogo dos terroristas. No sábado, o novo ministro de Segurança Interna, Tom Ridge, tentou novamente acalmar o país. Mas disse que o governo não sabe ainda se o antraz usado nos vários ataques bioterrotistas é de origem doméstica ou estrangeira. A informação levou a veterana repórter Helen Thomas a fazer a pergunta que está na cabeça de muitos americanos: "E por que vocês estão tão lentos para encontrar a fonte do antraz? É tão difícil assim?"

Agencia Estado,

21 Outubro 2001 | 17h16

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