REUTERS/Marco Bello
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Confisco chavista ameaça produção de cacau da Venezuela 

Produtores temem que governo estatize fazendas, já combalidas pela grave crise econômica do país

Redação, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2018 | 20h16

CARACAS - O comerciante de cacau Freddy Galindo enfrentou nos últimos anos diversos problemas para manter seus negócios funcionando. Após ter sofrido com assaltos, sequestros de parentes e com a decadência na produção, ele agora tem uma nova preocupação: a interferência do governo chavista no setor

Segundo o comerciante, caminhões carregados de cacau que deixaram suas fazendas foram parados a caminho de Caracas por oficiais da Guarda Nacional Bolivariana. Após um impasse que durou vários dias, parte da produção foi confiscada e levada para armazéns estatais. Ainda de acordo com Galindo, o prejuízo foi estimado em US$ 130 mil. 

Produtores no Estado de Miranda, nos arredores de Caracas, denunciaram confiscos similares nos últimos meses. O governo alega que os bloqueios têm como objetivo impedir o furto dos caminhões e atribuem os confiscos a dívidas tributárias dos produtores com o Fisco. Agora, produtores temem a estatização completa.

“Eles estão pressionando a iniciativa privada para confiscar os produtores a qualquer custo”, disse Galindo, que tem um entreposto de compra e venda de cacau em San José de Barlovento. Ele processa, embala e revende os grãos de cacau cultivados. 

O governo do Estado de Miranda criou uma estatal para comprar cacau dos produtores, o que provocou temores de que um programa de estatização do setor fosse implementado. “Será como a cana-de-açúcar. Eles expropriam tudo e acabam com a produção”, disse o fazendeiro de cacau Fredy Padrón.

A Venezuela cultiva cacau desde os tempos de colônia da Espanha. Apesar de a produção ser menor do que a de outros países, como Gana e Costa do Marfim, o cacau venezuelano é usado em chocolates premiados no mundo todo por sua qualidade. A crise, no entanto, afetou o setor. Sem dólares para insumos, a produção vem caindo progressivamente. / REUTERS

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