Confissão traz nova luz ao Caso Rosenberg

Sobell revela que ele e Julius eram mesmo espiões e diz que Ethel, executada com o marido em 1953, era inocente

Sam Roberts, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2008 | 00h00

Em 1951, Morton Sobell foi julgado e sentenciado juntamente com Julius e Ethel Rosenberg por acusações de espionagem. Ele esteve mais de 18 anos preso em Alcatraz e outros presídios, viajou para Cuba e Vietnã após ser libertado em 1969 e tornou-se um defensor das causas progressistas. Sempre manteve suas alegações de inocência.Mas na quinta-feira, Sobell, de 91 anos, mudou drasticamente suas declarações, lançando uma nova perspectiva sobre o famoso caso que até hoje mexe com as paixões políticas. Em entrevista a The New York Times, ele admitiu pela primeira vez ter sido um espião soviético. E Sobell implicou Julius Rosenberg numa conspiração que forneceu aos soviéticos segredos militares e industriais, bem como o que o governo americano chamou de segredo da bomba atômica.Na entrevista, perguntou-se a Sobell se quando ele era engenheiro elétrico teria entregado aos soviéticos segredos militares durante a 2ª Guerra, quando eles eram considerados aliados dos EUA. Seria ele, na verdade, um espião? "Sim, pode chamar disso", respondeu. "Nunca pensei nesses termos." Sobell também concordou com o que se tornou consenso entre os historiadores: Ethel Rosenberg, que foi executada com o marido, sabia da espionagem de Julius, mas não teve participação. "Ela sabia o que ele estava fazendo, mas do que era culpada? De ser casada com Julius." A admissão de Sobell reforça o que se tornou uma visão amplamente difundida entre os estudiosos do caso: Rosenberg era, de fato, culpado de espionagem, mas sua mulher desempenhou, no máximo, um papel menor na conspiração. O filho mais novo dos Rosenbergs, Robert Meeropol, descreveu a confissão de Sobell como "poderosa". "Eu sempre afirmei que essa possibilidade existia", disse Meeropol, referindo-se à questão da culpa de seu pai. Ecoando um consenso entre os cientistas, Sobell também afirmou que os rascunhos e outros detalhes sobre a bomba atômica que o governo diz terem sido passados a Julius pelo irmão de Ethel, David Greenglass, eram de pouco valor para os soviéticos. Greenglass era maquinista do Exército em Los Alamos, no Novo México, onde a arma estava sendo construída. "Aquilo que ele deu aos soviéticos era lixo", disse Sobell a respeito de Julius Rosenberg, seu colega na Universidade de Nova York na década de 30.Depois da prisão de David Greenglass, Sobell fugiu para o México até ser capturado e devolvido aos EUA em 1950. Ele foi sentenciado a 30 anos de prisão e foi solto em 1969. Os Rosenberg foram executados na cadeira elétrica em 1953.Durante entrevista concedida a este repórter em 2001 , Greenglass reconheceu que havia mentido quando depôs que a irmã datilografara as anotações sobre a bomba. Os promotores depois admitiram ter esperado que a condenação de Ethel pudesse convencer o marido a confessar e a delatar outros espiões.

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