Conflito amedronta jogadores brasileiros

A temporada ainda nem começou, mas três reforços recém-contratados pelo Zakho Futebol Clube estão ameaçados. Três brasileiros desembarcaram nas últimas semanas na cidade de 250 mil habitantes, pouco antes de a ofensiva do EI abarcar a região, trazendo milhares de refugiados para Zakho.

ZAKHO, IRAQUE, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2014 | 02h02

"Procure acalmá-los", pediu um empresário da cidade que levou o repórter do Estado até o hotel onde estão os jogadores. Mas não deu muito certo. Eles ficaram sabendo pelo repórter que os jihadistas estão a apenas 50 km. "Sério mesmo?", reagiram. "Eles não falaram isso pra gente." Os bombardeios dos EUA e montanhas que separam a posição dos jihadistas da cidade tornam improvável o avanço do EI em direção a Zakho, mas isso não serviu de alento.

O zagueiro Fábio Santos, de 33 anos, que estava no Linense, no interior paulista, ficou em dúvida sobre se trará a mulher e os dois filhos. Ele já jogou no Líbano, na Síria e no Catar. Estava de malas pontas para o Líbano em 2006, quando estourou a guerra entre Israel e Hezbollah.

Quando eclodiu a Primavera Árabe na Síria, em março de 2011, ele tinha acabado de encerrar a temporada no Al-Karame. Ele brinca com o técnico sírio Mohamed Quait, o mesmo do Al-Karame e do Zakho: "Tá de sacanagem. Saí da guerra de lá e começa outra aqui?" O técnico responde: "No Brasil também tem a guerra das máfias", referindo-se ao crime organizado.

O atacante Flávio Carvalho, de 27 anos, vem do Batatais, também do interior paulista. Também tinha planos de trazer a mulher e o casal de filhos. Mas agora ficou difícil. "Financeiramente é interessante", disse. "Os clubes no Brasil ficam meses sem pagar os salários."

Maurício Vitali Filho, outro atacante, de 26 anos, de Monte Alto, também em São Paulo, jogou antes na Bélgica e na Grécia, e a sua noiva o acompanhou. Mas agora, nem Maurício sabe se vai ficar. / L.S.

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