Conflito cingalês mata 70 por dia desde janeiro, diz ONU

Americanos e europeus pedem trégua ao governo de Colombo, que aperta cerco à guerrilha

REUTERS e THE GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

O avanço do Exército do Sri Lanka contra o grupo rebelde Tigres de Libertação do Eelam Tâmil (LTTE, na sigla e inglês) provocou a morte de 6.500 civis desde janeiro - uma média de 70 mortes por dia, segundo relatório da ONU publicado ontem. Em entrevista, a porta-voz do escritório de ajuda humanitária da organização, Elisabeth Byrs, qualificou de "catastrófica" a situação no país.Preocupados com o impacto do conflito sobre a população, Índia, Grã-Bretanha e EUA fizeram apelos para que o governo cingalês suspenda os ataques contra a guerrilha, que ocupa agora uma estreita faixa de areia de apenas 13 quilômetros quadrados no nordeste do país.Há meses, milhares de famílias vivem aglomeradas na região, sem acesso a água, alimentos e abrigo. Organizações humanitárias estimam, com base em imagens de satélite, que entre 50 mil e 100 mil pessoas ainda estejam no local, encurraladas entre o avanço das tropas do governo e o reduto rebelde. O governo do Sri Lanka discorda da estimativa e diz que esse número diminuiu desde segunda-feira, quando um cessar-fogo unilateral permitiu a saída de 108 mil civis do local. O Exército cingalês diz que o líder do LTTE, Velupillai Prabhakaran, recusa-se a se entregar e prepara para travar seu último combate na faixa costeira (mais informações nesta página).DIPLOMACIAA crise no Sri Lanka levou o chanceler indiano, Shivshankar Menon, a viajar ontem a Colombo acompanhado do conselheiro de Segurança Nacional da Índia, Mayancote Narayanan. Eles pediram que o governo cingalês conceda uma trégua para a saída de todos os civis da zona de conflito.O pedido foi reforçado, em Bruxelas, na Bélgica, pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. "Tantas vidas foram sacrificadas que já não há mais tempo a perder", disse Ban. O governo cingalês, porém, diz estar próximo de uma vitória militar e se nega a interromper o avanço de suas tropas.O ministro da Defesa do Sri Lanka, Gotabhaya Rajapaksa, rejeitou os apelos de trégua dizendo que "esse não é um assunto sensível no momento". A mesma opinião tem o brigadeiro Shavendra Silva. "Meus soldados já estão sofrendo um grande número de baixas por tentar proteger os civis", disse Silva. O governo acusa o LTTE de usar os civis como escudo humano, recrutar crianças e infiltrar seus membros entre a população que está fugindo do local.Desde 1976, o LTTE luta pela independência dos tâmeis, etnia que compõe 18% da população do Sri Lanka, uma ilha do Oceano Índico de apenas 25 mil quilômetros quadrados, um pouco maior que o Estado de Sergipe. Os tâmeis lutam pela autonomia do norte do país. Eles acusam os cingaleses, etnia majoritária da população, de segregação. TERRORISMOA guerra civil, uma das mais antigas do planeta, já matou 70 mil pessoas nos últimos 35 anos. A guerrilha tâmil é considerada a inventora do uso de homens-bomba e, em 2006, foi incluída pelo governo americano na lista das organizações terroristas internacionais.

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