Conflito de curdos e turcos mata 49

Emboscada rebelde amplia pressão para que Ancara lance ofensiva no Iraque

Istambul, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2007 | 00h00

Pelo menos 17 soldados turcos morreram e 16 ficaram feridos na madrugada de ontem numa emboscada de rebeldes curdos, intensificando a pressão sobre o governo da Turquia para enviar tropas ao norte do Iraque. Helicópteros artilhados e soldados turcos em terra responderam ao ataque, matando pelo menos 32 militantes. Os rebeldes curdos afirmam ter matado mais de 40 soldados turcos. O ataque levou o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, a convocar uma reunião de emergência para considerar uma ofensiva militar contra as bases de rebeldes curdos que a Turquia afirma exisitir no Iraque.Segundo o Exército turco, combatentes curdos vindos do norte do Iraque entraram na Turquia e atacaram soldados estacionados perto de Hakkari, cidade a cerca 40 quilômetros da fronteira. Em comunicado, divulgado num site curdo, os militantes disseram ter capturado oito soldados turcos. Há informações de que dez soldados estão desaparecidos. O ataque - o pior em mais de uma década - ocorreu quatro dias depois de o Parlamento turco ter autorizado o governo a enviar tropas ao norte do Iraque para combater os separatistas do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) que se escondem na região. Segundo o governo de Ancara, há cerca de 3 mil rebeldes do PKK nas montanhas do norte do Iraque, que usam como base para lançar ataques contra o território turco. O governo acusa o PKK pela morte de mais de 30 mil pessoas desde que o grupo iniciou sua luta armada pela criação de um Estado independente, em 1984.Após a autorização do Parlamento, os líderes turcos destacaram que não fariam uso imediato desses poderes e especialistas em segurança disseram que a decisão do Parlamento seria usada estrategicamente pelo governo para pressionar os EUA e seus aliados curdos iraquianos a agirem contra os separatistas curdos do PKK."Estamos muito furiosos. Nosso Parlamento nos deu autorização para agir e, dentro desse quadro, faremos tudo que for necessário", declarou Erdogan ontem . "Com esse incidente, o governo não pode mais adiar ou deixar de lançar uma operação", disse Armagan Kuloglu, general turco da reserva, a The New York Times. "Se o governo resistir, sua existência e credibilidade estarão em risco." Os EUA, aliados da Turquia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), haviam pedido a Ancara que evitasse uma ação militar, temendo a desestabilização da região, a mais pacífica do Iraque. Ontem, o presidente americano, George W. Bush, condenou o ataque e disse que a questão deveria ser resolvida pelo governo iraquiano e as autoridades regionais curdas.Em entrevista coletiva, o presidente iraquiano, Jalal Talabani, e um dos líderes curdos iraquianos, Massud Barzani, exigiram que os militantes parem com seus ataques contra a Turquia. "Mas se persistirem na luta devem deixar o Curdistão e o Iraque e não criar problemas por aqui", disse Talabani. Barzani, presidente do governo curdo no Iraque, pediu diálogo, mas reiterou que os curdos resistirão a uma ofensiva turca. "Não seremos apanhados na guerra entre o PKK e a Turquia, mas, se o Curdistão for alvo de ataques, vamos defender nossos cidadãos."REFERENDO Em um referendo, os turcos aprovaram ontem a eleição do presidente pelo voto popular em vez de parlamentar. Com dois terços dos votos apurados, 70% dos eleitores haviam votado no "sim", informou a agência estatal Anatolia. O referendo foi realizado três meses após as eleições gerais terem provocado um impasse no Parlamento sobre a nomeação do presidente. NYT, AP E REUTERS

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