Conflito de governo e rebeldes deixa 90 mortos na Síria

Fortes confrontos entre rebeldes e forças do governo da Síria ocorreram neste sábado, deixando pelo menos 90 mortos em todo o país. Segundo a organização não governamental Observatório Sírio para os Direitos Humanos, pelos menos 41 mortos são civis, vítimas dos confrontos na capital, Damasco, e na segunda maior cidade do país, Alepo.

AE, Agência Estado

21 de julho de 2012 | 18h21

Forças do regime lançaram um ataque contra redutos da oposição em Damasco, após os rebeldes tomarem os postos de fronteira da Síria com a Turquia e com o Iraque nos últimos dias. Combatentes rebeldes também entraram em confronto com as tropas em diversos bairros de Alepo.

A televisão estatal alardeou a ofensiva militar em Damasco. "Nossas corajosas forças armadas limparam completamente a área de Midan, em Damasco, dos terroristas mercenários remanescentes e restabeleceram a segurança", disse a emissora. Uma fonte da área de segurança contou à France Presse que o Exército agora controla os bairros de Midan, Tadamon, Qaboon, e Barzeh, enquanto duros confrontos foram reportados em outros distritos, como Jubar, Mazzeh e Kfar Sousa.

Em Alepo, as tropas do presidente Bashar al-Assad abriram fogo contra uma grande manifestação, segundo informações de ativistas. "Nós ouvimos enormes explosões e o tiroteio durou várias horas. O levante finalmente chegou a Alepo", afirmou o ativista Mohammad Saeed, em uma entrevista para a Associated Press por meio do Skype. Até agora, a cidade permanecia amplamente fiel a Assad e não tinha registrado confrontos sangrentos.

Os rebeldes também tomaram o lado sírio do posto de fronteira com a cidade iraquiana de Rabiya, segundo informou Atheel al-Nujaifi, governador da província de Ninevah, no Iraque. Segundo as autoridades iraquianas, os rebeldes sírios rasgaram e atiraram em fotos de Assad, mas não encontraram nenhuma resistência dos soldados que estavam no posto, que se renderam pacificamente. O Iraque fez uma barricada no seu lado da fronteira e aumentou o número de soldados na região.

Na cidade de Homs, uma rebelião acontece em um grande presídio, segundo grupos de ativistas. Eles temem um "massacre" no local, que está cercado por tanques, após vários guardas desertarem e os prisioneiros assumirem o controle de parte da cadeia.

Repercussão

O ministro de Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, alertou que Assad deve se preparar para deixar o poder. "O regime de Bashar al-Assad está condenado pelo seu próprio povo, que mostrou grande coragem. É hora de se preparar para a transição e o dia seguinte", comentou. Ele também conclamou a oposição síria a se unir. "É hora da oposição começar a tomar o controle do país. Nós queremos a rápida formação de um governo interino, que será representativo da diversidade da sociedade síria".

Os conflitos na Síria têm feito milhares de pessoas fugirem para países vizinhos, como o Líbano e o Iraque. Autoridades iraquianas afirmam que quase mil pessoas deixaram a Síria em oito voos que partiram de Damasco nos últimos dois dias. Outras 5 mil teriam passado por um posto de fronteira neste sábado.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse neste sábado que está enviando o chefe das forças de paz, Herve Ladsous, para a Síria, para avaliar a situação. Na sexta-feira, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, uma resolução renovando por mais 30 dias a presença de um grupo de 300 observadores no país. Eles foram enviados para a Síria três meses atrás, para monitorar um acordo de cessar-fogo, que nunca chegou a ser implementado.

Ban pediu que os dois lados interrompam a violência, mas apontou que o governo sírio "precisa parar a matança e o uso de armas pesadas contra a população". As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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