Conflito deixa ao menos 10 rebeldes mortos na Síria

Tropas do governo sírio mataram hoje pelo menos dez soldados rebeldes na região de Damasco, afirmou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos. A agência estatal Sana informou que três soldados e dois "terroristas" foram mortos em Alepo, no norte do país, em confrontos entre as tropas do governo e "grupos terroristas armados". Além disso, os soldados teriam frustrado uma tentativa de homens armados em botes de borracha de entrarem pela costa síria, no primeiro relato de tentativa de entrada de rebeldes pelo mar.

AE, Agência Estado

28 de abril de 2012 | 19h32

Ativistas disseram que o conflito começou quando "oficiais e soldados de uma base militar perto do palácio presidencial (...) desertaram com suas armas". Ativistas também relataram bombardeios na cidade tomada pelos rebeldes de Rastan e na província de Hama. E no que se acredita ser o primeiro caso de desaparecimento de ocidentais no país, afirmaram que dois húngaros foram sequestrados.

O suposto cessar-fogo, que tecnicamente começou em 12 de abril, tem sido desrespeitado diariamente, e a União Europeia expressou ontem grande preocupação com o constante derramamento de sangue. O Observatório disse que quatro civis também foram mortos por forças de segurança neste sábado, dois na província de Damasco e cinco na de Idlib, no norte.

Um editorial publicado no jornal estatal Tishrin, da Síria, afirmou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está estimulando ataques de militantes ao concentrar suas críticas no governo. O comentário surge um dia depois de Ban ter dito que a repressão contínua do presidente sírio, Bashar al Assad, contra os protestos no país chegou a um "estágio intolerável".

O Tishrin disse que Ban evita discutir a violência dos rebeldes, favorecendo os "ultrajantes" ataques contra o governo sírio. A capital do país foi atingida por quatro explosões na sexta-feira, matando pelo menos 11 pessoas e deixando dezenas de feridos. O governo Assad atribuiu ataques a "terroristas", termo que o governo usa para descrever as forças de oposição, que afirma estarem conduzindo uma conspiração estrangeira.

O ataque verbal ao secretário da ONU causou mais preocupações de que Assad esteja ganhando tempo para evitar um plano que poderia forçá-lo a deixar o poder. Sob o plano do enviado especial da ONU, Kofi Annan, o cessar-fogo deve ser seguido pela entrada de 300 monitores da organização e negociações entre a oposição e Assad sobre o futuro político da Síria. O chefe da equipe de observadores, o major general norueguês Robert Mood, deve chegar em Damasco amanhã para assumir o comando, afirmou o porta-voz Neeraj Singh.

No Líbano, autoridades confiscaram armas encontradas num navio interceptado na costa e deteve 11 tripulantes. O barco supostamente levaria armas aos rebeldes da Síria e teria saído da Líbia e parado no Egito. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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