Conflito em Jerusalém antecede reunião de paz

Manifestantes lançam pedras contra o Muro das Lamentações e polícia responde invadindo mesquita islâmica; 1 palestino é morto

REUTERS, AP e AFP, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

JERUSALÉM

A morte de um palestino, atingido por um disparo efetuado por um policial israelense, desencadeou ontem uma onda de violentos protestos no bairro árabe de Silwan, em Jerusalém, em mais um sinal das dificuldades que rondam a negociação de paz lançada pelos EUA no dia 2 de setembro.

Policiais israelenses chegaram a invadir e lançar bombas de gás lacrimogêneo na Esplanada das Mesquitas, onde fica a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha, o terceiro local mais sagrado para os muçulmanos, na Cidade Velha de Jerusalém. A ação do grupo antimotim da polícia foi uma resposta a um grupo de palestinos que havia apedrejado vários judeus que rezavam no Muro das Lamentações, local sagrado do judaísmo.

Pelo menos 11 civis israelenses e 1 policial ficaram feridos. As agências de notícias disseram não ter tido acesso aos feridos do lado palestino. Uma viatura policial foi incendiada e diversos ônibus foram parcialmente destruídos pelos manifestantes, que bloquearam ruas e ergueram barricadas com entulhos em chamas.

Segundo fontes israelenses, o policial envolvido na morte do palestino disparou depois que uma multidão ameaçou apedrejar o carro onde ele estava.

A Autoridade Palestina advertiu que a morte do manifestante - identificado como Samer Srhan, de 32 anos, morador de Silwan e pai de cinco crianças - deve minar os esforços empreendidos nos últimos 20 dias de negociações de paz.

Os dois lados ainda devem voltar a discutir na semana que vem o congelamento das construções israelenses em Jerusalém Oriental - condição considerada indispensável para o avanço do diálogo.

A moratória do governo israelense para novas construções na Cisjordânia expira em três dias e a Autoridade Palestina já anunciou que abandonará o diálogo caso Israel não mantenha o congelamento da construção de novas casas.

A cidade de Jerusalém é reivindicada como capital tanto do Estado israelense quanto de um futuro Estado palestino, que inclui a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. A ocupação israelense da cidade teve início em 1967 e nunca foi reconhecida pela comunidade internacional.

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