Conflito entre Hamas e Fatah matou 300 em 2007, diz AI

Segundo o relatório da Anistia Internacional, entre os mortos palestinos estão 'dezenas de civis desarmados'

Efe,

28 de maio de 2008 | 05h39

A violência entre as facções palestinas do Hamas e Fatah em Gaza e na Cisjordânia deixou cerca de "300 mortos" em 2007, diz o relatório anual sobre a situação dos direitos humanos da Anistia Internacional (AI), divulgado nesta terça-feira em Londres. Além disso, promoveu "detenções arbitrárias e torturas". Veja também:Anistia condena '60 anos de fracasso' em direitos humanos Relatório da Anistia destaca abusos no setor canavieiro Conflito armado e violência contra a mulher lideram abusos na América  Segundo o relatório da AI sobre 2007, entre os 300 mortos palestinos estão "dezenas de civis desarmados, que se encontravam casualmente no lugar dos ataques". "Os tiroteios ocorreram em áreas residenciais muito povoadas, incluindo hospitais e suas imediações, sem nenhum respeito pela vida", diz a AI. O Hamas assumiu o controle de Gaza no dia 14 de junho, após um conflito entre as duas facções, o que levou o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que manteve o poder na Cisjordânia, a romper todas as relações institucionais com esta facção. Além disso, a organização afirma que durante o conflito os membros de Fatah e Hamas cometeram "com impunidade homicídios ilegítimos e seqüestros de rivais". O relatório cita o assassinato do cozinheiro Mohammed Swerki, atirado por homens do Hamas do alto de um prédio em Gaza.  Swerki havia sido enviado junto a um amigo para entregar refeições em uma área residencial. No entanto, os dois erraram o endereço e acabaram em um prédio ocupado pelo Hamas, o que causou sua morte. O Fatah respondeu com outro assassinato, o do simpatizante do Hamas Husam Abu Qinas, também atirado do alto de um prédio. A AI assinala que em junho "as forças e milícias do Hamas empreenderam uma campanha de detenções com motivação política e prenderam arbitrariamente 1.500 pessoas", a maioria simpatizantes do Fatah que participavam de manifestações. Quase todas foram postas em liberdade em 48 horas, "após assinar um documento no qual se comprometiam a não participar de mais protestos", acrescenta a AI. Muitos dos detidos denunciaram que sofreram torturas e agressões físicas, além de terem sido amarrados em posições dolorosas e de sofrerem ameaças. O dossiê cita ainda o caso de Tariq Mohammed Asfour, um ex-policial que foi detido pelo Hamas no final de junho. "Ele foi agredido por cerca de seis horas com cabos metálicos, pedaços de madeira e uma pá. Além disso, usaram um martelo para perfurar suas pernas com pregos", afirma a AI. O relatório indica ainda que em meados de junho na Cisjordânia as forças de segurança da ANP adotaram em algumas ocasiões uma "campanha de repressão" contra os partidários do Hamas, na qual detiveram cerca de 1.500 pessoas. Os detidos foram libertados pouco depois sob a condição de que não apoiassem mais o Hamas. A AI também denuncia os "ataques indiscriminados" cometidos por grupos armados palestinos contra israelenses, que deixaram 13 mortos, entre eles sete civis. Além disso, "mais de dez mulheres foram assassinadas por familiares por motivos de honra". Nos bloqueios impostos por Israel aos territórios ocupados, "três mulheres deram à luz nos postos de controle", porque não receberam autorização para ir a um hospital. Cisjordânia e Gaza também sofreram com as agressões israelenses, que deixaram 370 palestinos mortos, quase a metade de civis e entre eles 50 menores, conclui a AI.

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